A poluição plástica não é mais um problema restrito aos oceanos ou ao solo que pisamos. Uma descoberta recente realizada por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências revelou que a atmosfera terrestre tornou-se um reservatório gigantesco e subestimado de partículas microscópicas. O estudo, publicado na revista Science Advances, aponta que as concentrações de microplásticos e nanoplásticos no ar das grandes cidades são de cem a um milhão de vezes maiores do que as estimativas anteriores indicavam.
Até agora, a ciência enfrentava dificuldades técnicas para medir com precisão a presença de plásticos no ar, especialmente em escalas nanométricas. A maioria dos estudos anteriores dependia de inspeções manuais ou métodos que não conseguiam capturar as menores partículas. Para superar esse obstáculo, a equipe de cientistas desenvolveu uma técnica de microanálise semiautomática, utilizando microscopia eletrônica controlada por computador. Essa inovação permitiu detectar nanoplásticos de apenas 200 nanômetros, algo inédito em amostras ambientais complexas.
Uma revelação sombria, mas necessária
A pesquisa foi aplicada em duas grandes metrópoles chinesas, Guangzhou e Xi'an, revelando que o ar urbano é uma das vias mais críticas para a disseminação global do plástico. Os dados sugerem que a poeira das estradas e os fenômenos meteorológicos, como chuvas e nevascas, desempenham um papel fundamental na movimentação e deposição desses materiais. Verificou-se que as partículas tendem ...
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