Imagine jazer por toda a eternidade ao lado de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Parece bom, mesmo que você esteja morto. Mas há um detalhe: não em um sarcófago, mas em um esgoto. Pode parecer um acidente, uma desonra ou uma tentativa de ocultação colocar os corpos em uma latrina, mais do que qualquer outra coisa. Ainda mais se tratando de bebês.
Pois não: uma equipe do Instituto Arqueológico Austríaco, vinculado à Academia Austríaca de Ciências (ÖAW), voltou a examinar uma tumba infantil encontrada em 2010 com os restos de dois bebês, possivelmente gêmeos, encontrados perto do sagrado Templo de Artemis, em Éfeso, e descobriu que nada é o que parece.
O espetacular Templo de Artemis fica na atual Turquia e foi nos arredores dele que, anos atrás, foi encontrado o sepulcro, dentro do canal de uma antiga latrina pública romana. A datação por radiocarbono situa o sepultamento no período bizantino médio, entre os séculos 8 e 9 d.C., centenas de anos depois de o edifício ter deixado de ser usado como latrina pública.
A tumba era pequena e feita de tijolos e pedras, e nela estavam os restos de dois bebês que morreram antes ou logo após nascer e que, por terem tamanhos quase idênticos e compartilharem a sepultura, presume-se que fossem gêmeos. Um dos indivíduos tinha uma costela extra no pescoço, uma raridade óssea da qual, segundo a ÖAW, existe apenas outro caso documentado, e que está associada a riscos de distúrbios no desenvolvimento e abortos espontâneos. De fato, os dois ...
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