Novos tempos, novas formas de beber. A relação dos espanhóis atuais com o álcool não é a mesma que a de nossos pais e avós, e esse vínculo provavelmente continuará a evoluir para nossos filhos e netos. Basta observar as estatísticas da OMS para constatar isso: na década de 1980, o consumo per capita girava em torno de 17,7 litros de álcool puro — sendo 54% provenientes do vinho —, enquanto em 2024 (dados mais recentes publicados pela OMS), a média havia caído para 11,1 litros, e a cerveja havia ultrapassado o vinho como principal fonte de consumo de álcool.
As pessoas estão mudando seus hábitos de lazer e alimentação; o consumo de vinho está migrando do ambiente doméstico para bares, restaurantes e saídas sociais; os jovens estão cada vez menos inclinados a beber com regularidade; e as empresas do setor não têm outra escolha senão se reinventar, apostando em novos produtos, formatos ou até mesmo em bebidas "sem álcool", que eliminam totalmente o álcool da equação.
Isso não chega a ser surpreendente, dadas as mudanças na sociedade e na legislação — que se torna cada vez mais rigorosa quanto aos locais onde latas e garrafas podem ser vendidas (ou mesmo anunciadas) e quais atividades são permitidas sob efeito de álcool.
Nem tudo muda
No entanto, certas coisas não mudaram tanto assim, como se observa no trabalho diário de Gabriel Rubio — professor de psiquiatria, chefe do departamento de psiquiatria do Hospital Universitário 12 de Octubre, em Madri, e especialista em alcoolismo.
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