Se algo funciona… por que mudar? Aplicamos essa máxima hoje, e ela era respeitada há mais de vinte séculos, quando os artesãos que fabricavam calçados para os mineiros de Urium, em Riotinto, aprimoraram sua técnica a tal ponto que ela se manteve estável por séculos. Sabemos disso graças a um punhado de sandálias que, contra todas as expectativas, conseguiram sobreviver até os dias de hoje: a mais antiga e a mais recente são separadas por 400 anos.
Agora entendemos melhor o cotidiano nas minas.
Oito solas contra todas as expectativas
Quando arqueólogos exploram sítios arqueológicos, geralmente encontram objetos de metal, cerâmica, vidro… materiais capazes de resistir à passagem do tempo, como moedas. Às vezes, porém, surpresas aguardam, como a descoberta recente no setor "Nova Veia Norte 1" da antiga mina de urânio em Riotinto, Huelva.
Ali, enquanto investigavam as montanhas de cinzas geradas pelos antigos fornos metalúrgicos, uma equipe de arqueólogos encontrou as solas de oito sandálias de esparto. Descobrir algo assim é incomum. Para começar, elas têm mais de 2 mil anos e, normalmente, peças desse tipo, feitas de materiais degradáveis, desapareceriam ao longo dos séculos.
Se os oito exemplares de Riotinto conseguiram ser preservados em um estado surpreendentemente intacto, é pura sorte: as solas permaneceram enterradas nas cinzas do forno, que preservaram suas fibras.
Surpresa
O sítio arqueológico reservava ainda outra surpresa para os arqueólogos. Ao examinarem as sandálias, os ...
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