Dois astronautas italianos poderão se preparar para caminhar na Lua, anunciou nesta quarta-feira (22), em Roma, o presidente da Agência Espacial Italiana (ASI), Teodoro Valente, durante uma reunião no Ministério da Empresa e do Made in Italy.
O dirigente apresentou o papel de liderança que a tecnologia do país europeu deverá desempenhar na exploração lunar, incluindo a construção de módulos habitáveis para a superfície da Lua, um módulo de pouso e sistemas de comunicação e navegação.
"Essas são implicações industriais significativas, e é por isso que o 'Made in Italy' está se tornando cada vez mais importante também no setor espacial", afirmou o ministro Adolfo Urso.
Segundo ele, o conceito de "humanismo espacial" é central, entendido como a integração entre inovação tecnológica e dimensão humana no desenvolvimento de ambientes e atividades para estadias prolongadas no espaço.
"A nova era da exploração espacial nos convida a repensar a Lua: ela não é mais um simples destino de exploração, mas uma verdadeira extensão da presença humana além da Terra", declarou.
O projeto "Habitat Espacial", promovido pela ASI, foi criado com o objetivo de acompanhar e apoiar essa transformação, integrando conhecimentos científicos, industriais, econômicos e humanísticos.
"Chegou outra notícia, embora ainda não tenha sido anunciada oficialmente: dois astronautas italianos irão à Lua, e não apenas um, como vinha sendo previsto", revelou Valente, referindo-se a um encontro realizado no fim de março, em Washington, com líderes da NASA.
O presidente da ASI, no entanto, não mencionou os nomes dos possíveis astronautas, que deverão ser selecionados entre os integrantes da Agência Espacial Europeia (ESA).
Em relação à tecnologia italiana, a experiência adquirida na construção da Estação Espacial Internacional (ISS) desempenha papel fundamental, já que cerca de 50% dos módulos pressurizados foram produzidos em Turim pela Thales Alenia Space, uma joint venture entre Thales (67%) e Leonardo (33%).
Há ainda um acordo com a NASA para que a mesma empresa desenvolva o módulo que servirá de habitação para astronautas na superfície lunar.
A tecnologia italiana também será essencial para o Argonaut, o primeiro módulo europeu de pouso lunar projetado para a ESA, destinado ao transporte de cargas de e para a superfície da Lua.