Didier Queloz, físico que abriu as portas do Cosmos, é um dos destaques do São Paulo Innovation Week

O astrofísico suíço, vencedor do Nobel de 2019, falará sobre a possibilidade de vida fora da Terra

22 abr 2026 - 16h49

Até 1995, a humanidade vivia em uma espécie de isolamento galáctico, restrita à certeza de que planetas existiam exclusivamente no Sistema Solar, girando ao redor do Sol.

Essa percepção mudou drasticamente quando um jovem doutorando suíço, Didier Queloz, ao lado de seu orientador Michel Mayor, anunciou a descoberta do primeiro exoplaneta, o 51-Pegasi-b, em órbita de uma estrela muito parecida com o Sol. A descoberta rendeu à dupla (juntamente com James Peebles) o Nobel de Física de 2019, "pelas contribuições sobre o lugar da Terra no Cosmos".

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Didier Queloz, astrofísico e vencedor do Nobel de Física de 2019.
Didier Queloz, astrofísico e vencedor do Nobel de Física de 2019.
Foto: Divulgação / Estadão

Queloz é um dos principais palestrantes do São Paulo Innovation Week (SPIW), onde falará sobre vida extraterrestre. O evento de inovação, tecnologia e empreendedorismo reunirá mais de 2 mil convidados brasileiros e internacionais, entre os dias 13 e 15 de maio, no Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (Faap).

O festival é uma realização do Estadão, em parceria com a Base Eventos. Assinantes do jornal podem comprar ingressos com 35% de desconto: para adquirir o passaporte para os três dias de evento. Não assinantes podem acessar este link.

A palestra de Queloz é um dos destaques do evento. Com o tema "Estamos sozinhos? Vida extraterrestre e o lugar da humanidade no Cosmos", a apresentação ocorrerá no dia 13 de maio, das 16h às 17h15, na Faap. Na sequência, Queloz participa também de um painel aberto a perguntas, juntamente com os também cientistas Marcelo Gleiser e Adam Frank.

Nascido em 1966, Queloz transformou sua tese de doutorado na Universidade de Genebra em uma das maiores descobertas da astronomia moderna desde Copérnico. A descoberta não veio por uma imagem direta, mas da observação das oscilações da luz de uma estrela. Queloz detectou variações mínimas na luminosidade da 51 Pegasi, o que sugeria a presença de um corpo de grande massa em sua órbita.

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O que ele encontrou desafiou a lógica da época: uma espécie de "Júpiter mais quente", um gigante gasoso colado à sua estrela, completando uma órbita em apenas quatro dias. O impacto do trabalho de Queloz na astronomia é considerado incalculável.

Graças às técnicas de detecção indireta refinadas pelo cientista suíço, o que era uma anomalia se tornou uma norma: atualmente mais de 5.500 exoplanetas já foram identificados. A comprovação da existência de gigantes gasosos próximos a estrelas forçou os cientistas a reescreverem os manuais sobre como os sistemas solares nascem e evoluem.

Ao provar que planetas são mais comuns no Universo do que se imaginava, Queloz pavimentou o caminho para finalmente tentar responder à pergunta: "Existe vida lá fora?". Hoje, ele lidera projetos que buscam identificar oxigênio e metano em atmosferas de mundos distantes, em busca de indícios de vida.

Professor em Cambridge e no ETH Zurique, Queloz não foca apenas no passado. Sua vinda ao Brasil reflete sua pesquisa atual: a origem da vida, tema de sua palestra na São Paulo Innovation Week. Para ele, a astronomia deixou de ser apenas observar estrelas para se tornar uma ciência interdisciplinar que une biologia, química e física.

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Didier Queloz não apenas colocou um novo ponto no mapa estelar; ele deu à humanidade a ferramenta para entender que o nosso "pálido ponto azul" é apenas um entre bilhões de pontos possíveis no vasto oceano cósmico.

Ao ser agraciado com o Nobel, Queloz recordou o momento da descoberta: "Quando descobrimos o primeiro exoplaneta, era óbvio que se tratava de algo importante, embora nem todos acreditassem em nós. Naquela época, a pesquisa de exoplanetas era um campo muito pequeno. Éramos talvez uns cinquenta e éramos vistos como excêntricos. Hoje, provavelmente mais de mil pessoas trabalham nessa área."

A Academia Real das Ciências da Suécia declarou na época: "A descoberta dos laureados iniciou uma revolução na astronomia e mais de 4.000 exoplanetas foram encontrados na Via Láctea desde então. Mundos estranhos e novos continuam sendo descobertos, com uma incrível riqueza de tamanhos, formas e órbitas."

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