Dados do Inpe apontam que a Amazônia e o Cerrado registraram as menores taxas de desmatamento da série histórica entre 2025 e 2026, com quedas de 41,8% e 23,8%, respectivamente. A área devastada foi de 3.335 km² na Amazônia e 5.516 km² no Cerrado. Em quatro anos, as reduções acumuladas chegaram a 71,2% e 48,4%. O recuo recorde é atribuído ao reforço da fiscalização ambiental sob a gestão da ministra Marina Silva, impulsionado pela retomada do PPCDAm e pela intensa aplicação de multas pelo Ibama.
Dados mostram que biomas tiveram, entre julho de 2025 e julho de 2026, as menores taxas de desmatamento de suas séries históricas, com quedas de 41,8% e 23,8%, respectivamente, em relação ao período anterior.As regiões da Amazônia e do Cerrado registraram entre julho de 2025 e julho de 2026 os menores índices de desmatamento de suas respectivas séries históricas, segundo levantamentos divulgados nesta sexta-feira (16/10) pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Na Amazônia, a área total desmatada no período foi de 3.335 quilômetros quadrados - equivalente a pouco mais do que o dobro da área da cidade de São Paulo -, o menor valor desde o início das medições, em 1988. O número representa uma redução de 41,8% em relação ao ciclo anterior, quando o desmatamento atingiu 5.731 quilômetros quadrados.
No Cerrado, foram 5.516,69 quilômetros quadrados desmatados, o que também aponta a menor taxa da série histórica, que, nessa região, começou em 2001. A queda equivale a 23,8% em relação aos 7.235,27 quilômetros quadrados no período anterior, ou seja, entre julho de 2024 e julho de 2025.
Os dados foram divulgados pelo governo federal durante um evento no Palácio do Planalto, em Brasília, e integram o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), que pertence ao Inpe e calcula as taxas oficiais de desmatamento no país.
No caso da Amazônia, anteriormente, o menor valor da série histórica havia sido de 4.571 quilômetros quadrados, em 2012. Pará, com 1.130 quilômetros quadrados de área desmatada, Mato Grosso, com 849, e Amazonas, com 525, são os estados que lideram o desmatamento na região.
No Cerrado, o menor valor anterior da série havia sido registrado em 2019, com 6.319 quilômetros quadrados. A região tem o Maranhão, com 1.718,59 quilômetros quadrados de área desmatada, liderando a destruição de mata nativa, seguido por Tocantins, com 1.263,06, e Piauí, com 625,24.
Redução de mais de 70% na Amazônia em quatro anos
De acordo com os dados do Inpe, a diminuição do desmatamento em ambos os biomas também fica evidente com a comparação dos resultados de quatro anos atrás. Nesse período, na Amazônia, houve redução de 71,2%, e no Cerrado, de 48,4%.
No levantamento divulgado em 2022, a Amazônia teve uma área desmatada de 11.594 quilômetros quadrados. Sucessivas quedas fizeram com que a região chegasse ao atual número de 3.335 quilômetros quadrados.
No mesmo período, o Cerrado contabilizava uma área desmatada de 11.012 quilômetros quadrados. Com a redução gradativa nos anos seguintes, a região apresenta praticamente metade da área destruída há quatro anos.
Explicação para a queda
A redução do desmatamento entre 2025 e 2026, assim como a tendência de queda observada nos últimos quatro anos, é atribuída principalmente à retomada das políticas de combate à destruição ambiental durante a gestão da ministra Marina Silva (Rede) à frente do Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA), no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marina classificou os números divulgados nesta sexta-feira pelo Inpe como uma "conquista histórica" e "um patrimônio do povo brasileiro".
Segundo o MMA, foram realizadas mais de 76 mil ações de fiscalização no período, que resultaram na aplicação de mais de 15 mil autos de infração e cerca de R$ 12 bilhões em multas por crimes contra a flora. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também embargou mais de 18 mil quilômetros quadrados de áreas alvo de infrações ambientais.
Entre as principais medidas está a retomada, em 2023, do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Criado em 2004, o programa reúne iniciativas de diversos ministérios e foi um dos principais responsáveis pela expressiva redução do desmatamento observada até 2014.
Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), especialistas e organizações ambientais apontaram o enfraquecimento de órgãos responsáveis pelo combate ao desmatamento ilegal, como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
gb/le (ots)
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