Nos últimos meses, a guerra na Ucrânia pareceu avançar por inércia: frentes praticamente imóveis, negociações estagnadas e um desgaste constante que ameaça normalizar o conflito na Europa. Mas, nas últimas semanas, Moscou lembrou a todos, sem precisar de grandes ganhos territoriais, que ainda possui a capacidade de alterar o cenário com um único gesto: o poder nuclear.
O botão que está sempre ali
Em uma guerra atolada na lama das linhas de frente e na exaustão industrial, a Rússia demonstrou mais uma vez que ainda possui uma bomba estratégica, apertando um botão que não precisa ser totalmente pressionado para surtir efeito: o míssil Oreshnik, um sistema de alcance intermediário com capacidade nuclear cujo uso, mesmo com ogivas inertes ou convencionais, funciona mais como uma mensagem política do que como uma arma tática.
A detecção de um lançamento a partir do campo de testes estratégico de Kapustin Yar e as subsequentes explosões perto de Lviv, a poucos quilômetros da fronteira polonesa, não visam tanto a destruição de alvos críticos, mas sim sinalizar que Moscou pode intensificar suas ações quando e onde quiser, inclusive a partir de instalações associadas às suas forças nucleares estratégicas, rompendo deliberadamente com a rotina "convencional" do conflito.
Uma arma simbólica, uma ameaça real
Já discutimos isso antes: o Oreshnik, derivado do programa RS-26 e capaz de transportar múltiplas ogivas que se separam em voo, não é um míssil projetado para vencer batalhas na Ucrânia, ...
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