A frase pode soar como piada, mas foi assim, na prática, que Richard Papadimitriou começou a resolver um problema que poderia ter custado quase R$ 4 mil.
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Gerente comercial da área de tecnologia da Mosten, Richard tem um Mercedes-Benz C180 há cinco anos. O carro nunca tinha dado dor de cabeça -- até começar a perder potência. "Mas não tinha nenhuma luz no painel acesa, o carro não entrou em modo de emergência, não tinha fumaça saindo pelo escapamento a mais, não tinha nenhum barulho em comum de essa mecânica batendo ou algo do tipo. O aspecto todo está normal, mas não está desempenhando", contou ao Terra.
Ele levou o veículo a uma oficina em Santos, onde mora há quase dois anos. Depois de um dia, o mecânico levantou hipóteses: possível vazamento de ar em algum duto, pressão menor na turbina. Para investigar, seria preciso desmontar partes do motor. O orçamento foi perto de R$ 4 mil. Richard decidiu levar o carro para casa para pensar melhor.
Entusiasta de carros, mas leigo em mecânica, Richard resume sua experiência com carros a "zero". Mas é usuário assíduo de IA desde 2022. "Eu sou uma pessoa que usa para absolutamente tudo na minha vida. Tudo".
Então, ele resolveu testar a ferramenta naquela situação, com seu carro híbrido que pode chegar a custar R$ 230 mil. Mesmo trabalhando com tecnologia, diz que agiu como um usuário comum do ChatGPT. "Esse fato em si, do conceito do carro, o meu modo de uso ali foi de um usuário convencional, nada que envolva expertise em tecnologia".
No chat, relatou os problemas: modelo, ano, tipo de motor, perda de potência, ausência de luzes ou ruídos. A resposta veio em etapas. "Ao invés do processo normal, de desmontar para ter um diagnóstico, a IA, de forma processual, começou a organizar as hipóteses". Era um diagnóstico por exclusão: se não houve fumaça branca, descarta-se dano grave na turbina; se não entrou em modo de emergência, elimina-se outra possibilidade.
Com um scanner simples comprado na internet, ele identificou um erro relacionado à alimentação de gases da turbina -- algo que poderia ter várias causas. A conversa evoluiu. Richard enviou fotos, testou peças sob orientação da IA, como uma válvula que poderia estar travada. Não era.
A hipótese final: uma eletroválvula solenóide. Peça eletrônica, sem defeito aparente a olho nu. A IA alertou que era melhor consultar um mecânico, mas indicou que, pelas informações fornecidas, havia grande chance de ser aquilo.
Richard comprou a peça por R$ 250. Perguntou se era "plug and play" e recebeu a confirmação. Instalou ali mesmo, na garagem de casa. "Eu não desconfiei das orientações, mas eu fiquei inseguro na hora de ligar o carro. Eu falei, olha, não conheço de mecânica, vai saber, né? [...] Arrisquei. Pensava: 'se eu ligar o carro, vai explodir'". Girou a chave do carro, apreensivo. Funcionou.
"Foi legal, a sensação foi muito boa, foi uma sensação de que eu consegui fazer algo, aprendi algo novo". Do diagnóstico ao conserto, levou um fim de semana de testes e, na segunda-feira, o carro já estava arrumado.
No trabalho, o episódio virou exemplo. Para ele, não basta usar IA para poupar esforço com legendas. É preciso método. "É saber o que comunicar com a IA. O que você precisa e o que você quer. Ou então, a IA vai te acelerar até para um resultado negativo". Na vida pessoal, ele faz uso de agentes que organizam compras recorrentes e comparam preços automaticamente, simulações em modo voz para treinar apresentações e reuniões e, claro, o mecanismo de pesquisa.
"Eu acho que a palavra é essa: otimizar".