Astrônomos descobrem exoplanetas com campos magnéticos

2 jun 2026 - 11h02

Com base no comportamento dos ‌ventos em sete exoplanetas grandes e de gás quente, os astrônomos obtiveram a evidência mais forte até hoje de que os planetas além do nosso sistema solar possuem campos magnéticos, como a Terra e cinco outros planetas do nosso sistema solar.

A descoberta, baseada em observações feitas por telescópios no Chile e ⁠no Havaí, aprofunda a compreensão dos exoplanetas ao mostrar que pelo menos alguns compartilham ‌uma característica importante presente em todos os oito planetas do sistema solar, com exceção de dois. Um campo magnético é um campo de força ‌invisível gerado pelo movimento de material eletricamente condutor ‌no interior de um planeta - um núcleo de metal fundido - combinado com ⁠a rotação do planeta.

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Embora nenhum dos exoplanetas gasosos desse estudo seja candidato a abrigar vida, um campo magnético pode ser um dos fatores que ajudam a tornar habitável um planeta rochoso como a Terra.

Cada um desses exoplanetas orbita muito próximo de uma estrela grande e quente, com um lado permanentemente voltado ‌para a estrela e o outro lado perpetuamente voltado para longe, como a Lua ‌faz com a Terra.

Esse ⁠tipo de planeta ⁠é chamado de "Júpiter quente" por ter tamanho e composição comparáveis aos do maior planeta do ⁠nosso sistema solar, embora com uma temperatura ‌muito mais alta. A ‌massa dos sete planetas variava de aproximadamente a mesma de Júpiter a mais de três vezes a massa.

Ventos fortes sopram do "lado do dia" quente para o "lado da noite" frio nesses planetas. A proximidade orbital dos planetas ⁠com suas estrelas hospedeiras os deixa com temperaturas atmosféricas escaldantes no lado do dia. Todos estão mais próximos de sua estrela hospedeira do que o planeta mais interno do sistema solar, Mercúrio, está do Sol.

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"O que se espera é que os planetas com temperaturas ‌mais quentes tenham ventos mais fortes. Quanto mais energia você coloca no sistema, mais violentos se tornam os ventos. Mas observamos o contrário", disse a ⁠astrônoma Julia Seidel, do Laboratório Lagrange do Observatoire de la Côte d'Azur, em Nice, França, principal autora do estudo publicado na terça-feira na revista Nature Astronomy.

"Os planetas mais quentes são os que têm menos ventos fortes misturando a atmosfera. E isso é realmente estranho pelo que sabemos sobre o comportamento das atmosferas", declarou Seidel. "Isso significa que toda a energia que a estrela coloca na atmosfera do planeta tem que ser dissipada de uma maneira diferente. E a única possibilidade de frear a atmosfera dessa forma, tão rapidamente, é através do campo magnético e da sua interação com as partículas carregadas em movimento na atmosfera."

A velocidade do vento nos sete exoplanetas variou em até 25.000 km por hora, mais forte do que em Júpiter.

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