"A ideia de comer menos e fazer mais exercícios é no que a indústria alimentícia queria que você acreditasse", afirma neuroendocrinologista

Grandes empresas financiaram estudos para evitar que o açúcar fosse criminalizado

1 nov 2026 - 14h08
(atualizado às 16h46)
Resumo
O neuroendocrinologista Robert Lustig afirma que combater a obesidade apenas com exercícios e restrição calórica é uma narrativa criada pela indústria alimentícia para blindar o açúcar. Historicamente, grandes corporações financiaram estudos para culpar o sedentarismo em vez da dieta. Contudo, a ciência confirma que o gasto energético corporal possui um limite de adaptação, apontando que a resposta biológica à frutose e à insulina é o real fator determinante no avanço da obesidade.
Robert Lustig
Robert Lustig
Foto: Robert Lustig (Facebook) / Xataka

O neuroendocrinologista Robert Lustig lidera há mais de uma década uma cruzada contra o açúcar. Para ele, a ideia de que a obesidade se resolve comendo menos e fazendo mais exercícios é uma construção artificial criada pela indústria alimentícia. Segundo Lustig, os verdadeiros culpados não são as calorias nem a preguiça, mas a frutose e a resposta insulínica do nosso corpo.

Onde Lustig acerta em cheio é no papel desempenhado pela indústria alimentícia para desviar a atenção para a prática de exercícios físicos e afastá-la de seus produtos. Já em 1965, a Sugar Research Foundation financiou revisões científicas que culpavam as gorduras pelas doenças coronarianas, a fim de isentar o açúcar de responsabilidade e manter seu negócio.

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Mais recentemente, investigações jornalísticas e acadêmicas demonstraram que a Coca-Cola investiu milhões no financiamento da Global Energy Balance Network (GEBN). O objetivo interno dessa rede, segundo os próprios e-mails da empresa, era "mudar a conversa" sobre a obesidade, concentrando-a na falta de atividade física, em vez de na alimentação.

Atualmente, há amplo respaldo para a ideia de que fazer mais exercícios não é a solução milagrosa para emagrecer, uma vez que nosso gasto energético diário tem um limite. Isso faz com que, a partir de determinado nível de atividade, nosso corpo se adapte e o gasto total se estabilize. Além disso, análises de grandes populações ao longo de décadas indicam que a explosão da obesidade não se deve a uma queda ...

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