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X é “irrelevante para periferia”, diz Chavoso da USP

Povão praticamente não usa o antigo Twitter, de Elon Musk, que afronta Alexandre de Moraes e a soberania nacional

11 abr 2024 - 09h30
(atualizado às 10h53)
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Resumo
Thiago Torres, o Chavoso da USP, comenta a polêmica em torno de Elon Musk, X e Alexandre de Moares, dizendo que o povão não se importa com esses debates. Ele relata como saiu do X devido às constantes e coordenadas agressões que sofria na plataforma. Para ele, a regulamentação é necessária, inclusive para dar dignidade a quem produz conteúdo para as redes sociais.
Morador da Brasilândia, zona norte de São Paulo, Chavoso da USP se tornou uma liderança periférica ao entrar na USP destoando do padrão
Morador da Brasilândia, zona norte de São Paulo, Chavoso da USP se tornou uma liderança periférica ao entrar na USP destoando do padrão
Foto: Instagram

“O povão não está nem aí para esse debate entre X e Alexandre de Moraes”, diz Thiago Torres, o Chavoso da USP, que tem milhares de seguidores em redes sociais, mas deixou de usar o antigo Twitter, em outubro do ano passado, por ser “uma rede muito tóxica”.

Sem fechar a conta, ainda mantém 164 mil seguidores na plataforma. Desde que se tornou conhecido, em 2019, Chavoso – pobre, preto, gay, estudante de Ciências Sociais da USP – sofreu ataques “constantes, massivos e aparentemente coordenados” no então Twitter.

A gota d´água veio com agressões virtuais de simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) e, por incrível que pareça, também foi “linchado virtualmente por outros gays”. Pensando no “bem da própria saúde mental”, deixou de usar o X, pois “não estava me servindo pra nada”.

Em entrevista ao Visão do Corre, Chavoso, que depende de redes sociais para divulgar seu trampo como palestrante, fala sobre X, redes de ódio, a treta com Alexandre de Moraes e o fato, notório, de que a periferia pouco se importa com tudo isso.

Você deixou o X, antigo Twitter, com uma quantidade considerável de seguidores. Isso não te prejudicou?

O meu público-alvo, que é a favela, a periferia, não está no X. Ele é um bolha. Sempre foi a rede que eu menos usei. Quando eu fiquei conhecido, em 2019, usava Facebook. No ano seguinte, passei a ser muito mais ativo no Instagram.

O X não é quase usado na periferia?

Isso é muito claro. Praticamente ninguém onde eu moro tem X, inclusive de outras periferias, eu rodo por elas. Facebook sim, tanto os mais novos, quanto mais velhos. No Rio de Janeiro, percebi que usam mais o X.

A polêmica entre Elon Musk, X e Alexandre de Moares interessa à periferia?

É praticamente irrelevante pro povão. Eu não acredito que ele esteja preocupado com isso, tirando o pessoal que gosta de política. A maioria não está nem aí pra esse debate: não sabe o que é Twitter, Alexandre de Moraes, STF, nem Elon Musk. Não interfere imediatamente na vida das pessoas de periferia.

Thiago Torres, o Chavoso da USP, é favor da regulamentação das redes sociais, mesmo sendo um produtor de conteúdo
Thiago Torres, o Chavoso da USP, é favor da regulamentação das redes sociais, mesmo sendo um produtor de conteúdo
Foto: Instagram

O X incentiva o preconceito?

É nítido, a olho nu, que o X é a plataforma em que as pessoas são mais racistas, homofóbicas, xenofóbicas. Poste a mesma coisa no Instagram e no X e veja o resultado. Sempre que eu postava no antigo Twitter, eu era atacado. Elas se sentem muito à vontade para atacar de forma muito mais selvagem, mais violenta. Por isso tem muito perfil fake, com nomes de personagens, nomes de números, foto de animes, ou sem foto.

Você é a favor da regulamentação das redes sociais?

Sou totalmente a favor, esse episódio reforça a necessidade. E falo isso como produtor de conteúdo, eu dependo das redes sociais para viver, meu trabalho está nelas. A regulamentação não vai acabar com as plataformas. Mas elas precisam ter regras, inclusive para que os produtores de conteúdos sejam reconhecidos como trabalhadores – é um trabalho uberizado. Donos de plataformas não podem ficar se vendo como donos do mundo. Não podemos ficar reféns de milionários e bilionários. De alguma forma, o povo precisa ter controle sobre elas.

Fonte: Visão do Corre
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