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Zoológico: educação ambiental ou exploração animal?

Afinal, devemos acabar com os zoológicos, ou eles são fundamentais na preservação de espécies e para a realização de pesquisas?

16 ago 2023 - 05h00
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Foto: CanvaPro

O tema zoológico gera muitas controvérsias, pois existem diversas opiniões sobre a existência dessa atividade, tanto positiva quanto negativa. Assim, temos a comunidade de biólogos que defendem a existência dos zoológicos como uma forma de preservar espécies, sendo um centro educativo e de reabilitação de animais.

Em contrapartida, ativistas dos direitos animais defendem que a maioria dos zoológicos é utilizada para entretenimento e exposição de animais, considerando tal atividade cruel e desnecessária. Tal perspectiva é considerável, especialmente quando consideramos a história dos zoológicos.

No meio deste debate saudável, claro que existem os oportunistas, como, por exemplo, os magnatas que constroem zoológicos visando lucrar com a diversão e utilização de animais, sob um discurso travestido de preservação e educação ambiental. Atualmente, ainda é comum ter zoológicos que se apropriam dos animais.

Manter vivos animais em cativeiro não é novidade, diversas civilizações antigas tinham esse hábito. A curiosidade e a necessidade de possuir animais são tão antigas quanto a nossa existência.

O zoológico mais antigo do Brasil foi inaugurado em 1895 e tinha como objetivo a diversão e o entretenimento. Os recintos eram pequenos e com grades, sendo a ideia de serem pequenos direcionados para privilegiar a visita humana e garantir a sua diversão. Recintos pequenos não passam de tortura e sadismo, pois os animais ficam completamente incapacitados e estressados.

Atualmente, embora ainda seja comum ter animais "em vitrines", essa concepção mudou bastante. Muitas organizações defendem a criação de Bioparques e Santuários responsáveis, visando o bem-estar do animal, construindo recintos reservados, com vegetação e água corrente, em áreas distantes de rodovias, ruas e casas, proporcionando conforto exclusivamente ao animal, que mesmo em lugares apropriados estão encarcerados. 

Uma mudança está ocorrendo no Brasil, passando da ideia de zoológico como vitrine de animais tratados para exibição (animais expostos apenas por mero entretenimento), para centros de pesquisa em reprodução, conservação e bem-estar animal. Esses centros são pensados no animal e não apenas na visitação. Dessa forma, eles podem ser realmente considerados locais de conservação, mas essa ainda não é uma realidade no Brasil. A maioria dos zoológicos não tem estrutura e abusa do entretenimento visando o lucro.

Além de tudo isso, nós, como ativistas veganos, entendemos que não há necessidade de ter zoológicos como forma de educação ambiental, considerando o desenvolvimento tecnológico atual, e os diversos recursos disponíveis.

É importante que tenhamos centros de reabilitação criados com o intuito de proteger os animais e suas espécies. Sabemos que o tráfico de animais é corriqueiro, atropelamentos e diversas outras ações humanas, como o desmatamento, estão levando várias espécies à extinção.

É absurdo que ainda existam locais onde os animais são expostos apenas por entretenimento; isso não deveria ser aceito. O manejo, a recuperação e o tratamento voltados para o animal devem ser prioridades nesses locais que abrigam animais originários do tráfico, queimadas, desmatamento, etc.

Foto: CanvaPro

A maioria das pessoas que vão aos zoológicos, hoje em dia, vai por curiosidade, apenas para ver um animal exótico ou difícil de ser visto na natureza. Infelizmente, são poucos os que vão com o intuito de se educar e educar seus filhos. No entanto, é possível ver o início de uma mudança em relação aos zoológicos no Brasil.

Recentemente, foram trazidas ao Brasil 18 girafas para serem colocadas no Bio Parque do Rio de Janeiro, para serem expostas ao público. Isso é inadmissível. Retirar o animal de seu habitat natural, de seu continente de origem (África) e levá-lo para outra parte do mundo com o propósito de torná-lo atrativo é uma aberração sem tamanho.

Há uma contradição na ação de quem vai ao zoológico ver um animal que acha espetacular, mas ignora que esse animal foi explorado, maltratado e retirado de seu habitat natural para estar ali sendo usado como um produto. Isso é um contraste completo.

O zoológico deve ser pensado 100% para o animal. Toda instituição tem o dever de pensar em recintos, visitação, reintrodução e cuidados voltados para o bem-estar e proteção dos animais. Se queremos que nossos filhos vejam o quão lindos são os animais, podemos apresentar filmes, documentários, jogos e livros incríveis a eles.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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