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Ascensão também pode ser ter consciência política e alimentar 

Ascender intelectualmente deveria ser encarado como um avanço, tanto quanto ou até mais que a ascensão material.

27 nov 2023 - 15h58
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Foto: CanvaPro

Existe uma mania muito equivocada e elitista de algumas pessoas que acredita que o povo não pode pensar, não pode questionar sua condição e muito menos tomar atitudes conscientes, pensadas e refletidas. 

E é justamente o pensamento de que o povo não pode pensar, escolher e decidir de forma consciente, que leva nós, de periferias, nos contentarmos com restos da indústria da carne, com políticos que agem contra o próprio povo, com condições de saúde, transporte, distribuição de renda, acesso a alimentos de verdade. 

E chega ao ponto que queremos abordar, e vamos começar com uma pergunta: por que o povo não pode encarar a ascensão mental, a consciência em relação à própria existência, a motivação para mudança de hábitos, a capacidade de enxergar e discernir sobre o que é melhor para si, existência também como ascensão? Como uma conquista?

Se consideramos que ascensão social é apenas ter dinheiro, acesso a bens materiais, e produtos alimentícios de luxo, ignoramos completamente a necessidade extrema de uma excelente educação, para desenvolver consciência e autocrítica para viver em um mundo onde a desinformação, as visões extremistas, e as severas doenças mentais estão afetando a maioria da população, que, atualmente, se encontra ludibriada em seus direitos mais básicos.

Podemos ter o que comer em excesso, podemos ter acesso a veículos, moradias, e todo bem material, mas se não tivermos a capacidade de pensar e questionar o que está posto para nós como verdade, seremos vítimas rendidas o tempo todo, aceitando e ignorando atrocidades contra nós mesmos.

Lembrando que o ensino público tem um grande problema de educação crítica, a própria escola pública é limitada, congelada e com baixo investimento para uma excelente educação. 

Apesar de o SUS ser extremamente fundamental no Brasil, a maioria das periferias e favelas tem a dificuldade de acessar um sistema de saúde de qualidade e eficaz.

Como o próprio nome já diz, a periferia está muito distante dos centros das grandes cidades, onde tudo começa, e é debatido e tem espaço para qualquer forma de pensar.

O apego quase que necessário em regiões nas áreas mais vulneráveis das cidades, em muitos casos limita o questionamento das pessoas em relação a tabus, visões diferentes de mundo e pensamentos críticos.

Não existe problema em questionar a religião, o machismo, o racismo, o sexismo. Um morador de periferia ou favela com as mínimas condições de subsistência, pode sim decidir que não quer mais consumir um determinado produto, e almejar uma autonomia alimentar e um profundo entendimento mais geral e intelectual do mundo.

Portanto, não é um problema pensar e agir. E devemos considerar uma visão crítica e um pensamento não convencional também como ascensão social.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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