Você sabia? O sorriso do bebê pode dizer muito sobre o desenvolvimento infantil
O que é, aparentemente, apenas um gesto natural, vai muito além, isso porque ele marca o início das descobertas emocionais
Poucos momentos são tão inesquecíveis quanto o primeiro sorriso do bebê. O que é, aparentemente, apenas um ato natural que surge entre seis e oito semanas, vai muito além, isso porque ele marca o início das descobertas emocionais, simbolizando o reconhecimento de rostos e conexão com pessoas à sua volta. Leia mais detalhes abaixo:
O significado por trás do sorriso do bebê
De acordo com o neurocirurgião Dr. André Ceballos, especializado em desenvolvimento infantil, o sorriso do bebê é um dos primeiros sinais de interação social e ajuda a fortalecer o vínculo entre o pequeno e seus cuidadores. "Para os pais, cada um expressa a forma de reconhecimento e validação de seu papel no desenvolvimento da criança. Quando veem seu filho sorrindo, sentem uma conexão emocional profunda. E muitas vezes, esse vínculo já começa antes mesmo do nascimento, mas é nas primeiras interações sociais, que ele se solidifica", explica.
Reflexos e respostas
O especialista ainda ressalta que trata-se do resultado de uma complexa rede de interações neurológicas. "Envolve a capacidade do bebê de perceber o rosto das pessoas e processar emoções, além da ativação dos neurônios-espelho, que ajudam a imitar e retribuir a alegria que vê nos rostos familiares". E continua: "Antes de sorrirem socialmente, podem fazer isso involuntariamente durante o sono, como parte de reflexos naturais. Esses, no caso, não são respostas a estímulos externos, mas refletem seu desenvolvimento neurológico".
A partir de três meses, a resposta começa a mudar. Isso porque "começam a imitar expressões faciais. Assim, sorrir para eles pode incentivá-los a retribuir. O sorriso, portanto, é uma das primeiras formas de comunicação não verbal que os bebês usam para expressar emoções e é essencial para formar laços afetivos", enfatiza.
E quando ele demora a sorrir?
Levando em conta que essa é uma das formas mais básicas de comunicação de um ser humano em evolução, os pais passam a se preocupar quando o hábito demora a aparecer. E, de acordo com Ceballos, a apreensão é válida, mas não de imediato. "Caso o sorriso do bebê não surgir após os três meses de vida, recomendo uma consulta com o pediatra. Pois fatores como problemas de visão, audição ou questões neurológicas mais complexas podem influenciar o progresso. Dessa forma, intervenções precoces tendem a fazer uma grande diferença", relata.
Em outras situações, há chances da ausência do ato ser um sinal da presença de distúrbios do desenvolvimento, tal qual o autismo. Vale ressaltar, por fim, que o ambiente em que passa o maior tempo também influencia a criança. Ou seja, lares onde há pouca interação emocional podem atrapalhar o sorriso. Então a dica é criar estímulos positivos, expressões faciais e interações tanto com o bebê, quanto as pessoas que convivem na mesma casa que ele. Pois, dessa maneira, aprende a retribuir o gesto.