Vertigem: causas, diferenças e como identificar o diagnóstico correto
Se, além da vertigem, o paciente relata náusea e zumbido, é possível que apresente uma condição conhecida como migrânea vestibular.
A vertigem pode ter causas variadas e complexas, como a VPPB e a migrânea vestibular. Ambas compartilham sintomas, dificultando o diagnóstico e o tratamento. Especialistas recomendam uma investigação clínica detalhada para identificar a causa e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Tratamentos incluem manobras específicas, medicamentos e reabilitação vestibular. 🩺
Especialista diz que investigação é necessária para determinar a condição que provoca a vertigem
Vertigem é um sintoma comum a uma grande variedade de condições, desde alterações passageiras até doenças que exigem investigação mais cuidadosa. Justamente por isso, identificar a causa nem sempre é simples. Alguns pacientes passam anos sofrendo com crises recorrentes e enfrentam diagnósticos incompletos. Esse é um cenário que pode acontecer, por exemplo, quando há sobreposição entre a vertigem posicional paroxística benigna, conhecida como VPPB, e a migrânea vestibular, outra condição neurológica.
"A VPPB é uma das causas mais comuns de vertigem episódica e costuma provocar crises breves, geralmente desencadeadas por mudanças na posição da cabeça, como virar na cama ou inclinar o corpo", explica o neurologista Tiago de Paula, especialista em cefaleia. Ele esclarece que a migrânea vestibular também causa vertigens, mas ainda é subdiagnosticada. O desafio é que os sintomas são semelhantes e, em alguns casos, as duas condições podem coexistir.
O médico explica que essa sobreposição entre as duas condições torna o diagnóstico complexo, o que prejudica o tratamento e a qualidade de vida do paciente. "A VPPB pode estar presente e ser corretamente identificada, mas não explicar todo o quadro. Quando o paciente continua apresentando crises ou relata sintomas como náusea, sensibilidade à luz, sensibilidade ao som, zumbido, sensação de ouvido cheio ou histórico de enxaqueca, é preciso considerar a possibilidade de migrânea vestibular associada", detalha o especialista.
Diferenças entre as doenças
A diferença entre os quadros está, principalmente, na forma como as crises aparecem, nos tipos de sintomas e na duração dos mesmos. "Na VPPB, a vertigem costuma ser breve e provocada por mudanças específicas da posição da cabeça. Já na migrânea vestibular, os episódios podem durar de minutos a horas e ocorrer junto a outras manifestações típicas da enxaqueca", pontua o médico. Ele reforça que enxaqueca não se manifesta apenas como dor de cabeça: pode envolver fotofobia (sensibilidade à claridade), fonofobia (aversão a sons), entre outros sintomas.
A grande questão é que, em alguns pacientes, a distinção entre VPPB e migrânea vestibular não é tão evidente, porque os sintomas podem se sobrepor. "Por isso, quando há crises recorrentes, sintomas associados à enxaqueca ou resposta incompleta ao tratamento da vertigem posicional, é necessário ampliar a investigação", frisa o neurologista.
História clínica
Segundo ele, o diagnóstico depende de uma avaliação clínica detalhada, uma vez que não existe um único exame capaz de identificar se trata-se de VPPB, migrânea vestibular ou ambas. "A história clínica é fundamental. É preciso entender quando a vertigem aparece, quanto tempo dura, se é desencadeada por movimentos, se vem acompanhada de sintomas de enxaqueca e qual o impacto disso na rotina do paciente", pondera o especialista.
Para investigação da VPPB, é possível realizar manobras específicas, como Dix-Hallpike, teste que ajuda a identificar sinais típicos da vertigem posicional por meio de movimentos da cabeça e do tronco. "O diagnóstico correto é fundamental, pois muda a condução do tratamento e pode melhorar muito a qualidade de vida do paciente", pontua.
Como é o tratamento
Com relação ao tratamento, o médico explica que, para a VPPB, manobras específicas podem ajudar a reposicionar as partículas do ouvido interno que se deslocaram para canais relacionados ao equilíbrio. "Já para migrânea vestibular, o tratamento visa prevenir novas crises e reduzir a sensibilidade do sistema vestibular. Para isso, é possível usar medicamentos como antidepressivos, anticonvulsivantes, betabloqueadores e bloqueadores de canais de cálcio", enumera.
Além disso, em alguns casos, especialmente quando o paciente continua apresentando crises apesar dos tratamentos convencionais, consideram-se alternativas, como a toxina botulínica. "Outra possibilidade é a reabilitação vestibular, principalmente quando há prejuízo do equilíbrio e impacto importante na qualidade de vida", acrescenta o especialista. Reabilitação vestibular é um tratamento que envolve exercícios, como reeducação do equilíbrio e controle do movimento ocular, entre outros.
Edição: Fernanda Villas Bôas
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