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Um médico passou 50 anos estalando os dedos para provar que o hábito não causa artrite

A crença popular de que estalar as articulações engrossa os ossos ou provoca desgastes articulares foi colocada à prova pela ciência, e os resultados desmontam o mito de vez.

2 nov 2026 - 10h49
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Resumo
O médico Donald Unger passou 50 anos estalando diariamente as articulações de apenas uma das mãos para checar se o hábito causava artrite, mantendo a outra como controle. Publicado em 1998, o experimento concluiu que não houve qualquer diferença degenerativa ou surgimento da doença entre as mãos, desmistificando a crença popular e rendendo ao autor o prêmio Ig Nobel em 2009.
Foto/ Claudia Love
Foto/ Claudia Love
Foto: Minha Vida

Basta alguém começar a estalar os dedos da mão em público para ouvir o clássico alerta: "pare com isso, você vai estragar suas juntas e ficar com artrite quando envelhecer". O aviso, repetido de geração em geração por pais e avós, parece fazer sentido pelo barulho seco que produz, mas a medicina já provou que essa preocupação não passa de um mito. E a demonstração mais curiosa dessa resposta veio da determinação de um próprio médico.

O alergista norte-americano Donald L. Unger cresceu ouvindo essas advertências na infância. Incomodado com a falta de embasamento científico da bronca familiar, decidiu transformar o próprio corpo em um laboratório ao longo da vida: durante mais de cinco décadas, Unger estalou religiosamente os nós dos dedos da mão esquerda pelo menos duas vezes ao dia, enquanto a mão direita permaneceu intacta, servindo como grupo de controle.

Em 1998, após 50 anos ininterruptos de experimento, ele publicou suas conclusões na renomada revista científica Arthritis & Rheumatism. O resultado foi categórico: após exames e radiografias detalhadas de ambas as mãos, não havia o menor sinal de artrite em nenhuma delas, e tampouco foram encontradas diferenças estruturais ou degenerativas entre a mão estalada e a mão poupada. A dedicação bem-humorada rendeu ao médico o Prêmio Ig Nobel de Medicina em 2009.

Veja também: Dor nos dedos: o que pode ser e como aliviar

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