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Um ano sem celular em sala: o que mudou na escola?

Menos distração, mais foco e novas formas de convivência entre alunos

13 jan 2026 - 15h57
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Há um ano, muitas escolas brasileiras adotaram regras mais rígidas sobre o uso de celulares em sala de aula.

Menos tela, mais presença: após um ano sem celular em sala, escolas observam mudanças no foco, na convivência e no bem
Menos tela, mais presença: após um ano sem celular em sala, escolas observam mudanças no foco, na convivência e no bem
Foto: estar dos alunos - Shuttesrtock / Alto Astral

A proposta, que inicialmente gerou resistência entre estudantes e famílias, tinha um objetivo claro: reduzir distrações, melhorar o aprendizado e fortalecer as relações presenciais no ambiente escolar.

Passado esse período, os impactos começam a ficar mais visíveis — e vão além das notas.

Mais atenção e participação em aula

Um dos efeitos mais relatados por educadores foi o aumento da concentração.

Sem notificações, redes sociais e mensagens disputando atenção, os alunos passaram a acompanhar melhor as explicações, participar mais das aulas e interagir com professores de forma mais ativa.

Além disso, atividades que antes competiam com o celular — como leitura, debates e trabalhos em grupo — ganharam mais espaço e engajamento.

Mudanças no comportamento e na convivência

A ausência do celular também alterou a dinâmica social dentro da escola. Nos intervalos, muitos alunos voltaram a conversar presencialmente, brincar, jogar e criar vínculos fora das telas.

Para especialistas em desenvolvimento infantil e adolescente, esse resgate do contato direto é fundamental para habilidades emocionais, como empatia, escuta e resolução de conflitos.

Em alguns casos, professores observaram redução de conflitos ligados a exposição excessiva nas redes, como comparações, exclusões virtuais e episódios de cyberbullying que começavam dentro da sala de aula.

Impactos na saúde mental dos estudantes

Outro ponto importante foi o reflexo no bem-estar emocional. Embora o celular não seja o único fator de estresse entre jovens, a diminuição do uso contínuo ajudou a reduzir a ansiedade ligada à necessidade de estar sempre conectado.

Especialistas apontam que pausas das telas durante o período escolar favorecem a autorregulação emocional, diminuem a sobrecarga cognitiva e ajudam o aluno a perceber melhor o próprio corpo e suas emoções ao longo do dia.

Resistências e adaptações ao longo do tempo

No início, a mudança não foi simples. Muitos alunos relataram desconforto, tédio e até irritação nas primeiras semanas.

Com o tempo, porém, a maioria passou a se adaptar à nova rotina, especialmente quando a escola ofereceu alternativas de convivência, atividades recreativas e espaços de escuta.

Para as famílias, o processo também exigiu diálogo. Entender que a restrição não é punição, mas cuidado, foi essencial para que a regra funcionasse de forma saudável.

O que fica de aprendizado após um ano?

A experiência mostrou que limitar o uso do celular na escola não significa demonizar a tecnologia, mas redefinir seu lugar.

Fora da sala de aula, o celular segue sendo ferramenta importante de comunicação, aprendizado e lazer. Dentro dela, o foco volta a ser o encontro humano, o conhecimento e a troca.

Mais do que uma regra, o último ano trouxe uma reflexão: equilíbrio digital também se aprende — e a escola tem papel central nesse processo.

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