Nível da água em Veneza pode subir mais de 1 metro até 2100

Esse número tornaria o sistema Mose inútil

3 mar 2020
12h05
atualizado às 12h21
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Um estudo divulgado nesta terça-feira (3) mostra que o nível da água na Lagoa de Veneza, onde fica o centro histórico da cidade, pode subir até 108 centímetros até o fim do século por causa da crise climática e do abaixamento do solo terrestre.

O Grande Canal de Veneza
O Grande Canal de Veneza
Foto: Guglielmo Mangiapane / Reuters

Esse número é quase o dobro da elevação marítima que o sistema de barreiras Mose, planejado para evitar inundações na capital do Vêneto, poderia suportar. Publicado na revista Water, o relatório foi feito pelo Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia (INGV) da Itália e pela Universidade Radboud, dos Países Baixos.

"O resultado é importante para Veneza, que em 12 de novembro de 2019 teve a segunda maré mais alta já registrada [187 centímetros], após aquela desastrosa de 1966 [194 centímetros].

Em 2100, uma acqua alta poderia elevar o nível em até quase três metros, nos piores cenários", diz Marco Anzidei, geólogo do INGV e um dos autores do estudo.

A análise se baseia em dados fornecidos pelas estações maregráficas dos mares Adriático e Tirreno e no fenômeno da subsidência, o lento deslocamento para baixo da superfície terrestre. Esse movimento é provocado por causas naturais e pela atividade humana e tem como resultado o aumento do nível do mar.

"No entanto, é preciso considerar que o nível marinho sempre oscilou por causas naturais e continuará fazendo isso. Estudar as causas e efeitos esperados nos próximos anos é de fundamental importância para a gestão do fenômeno", acrescenta Anzidei.

Em dezembro passado, em entrevista à ANSA, o autor do projeto do Mose, Alberto Scotti, disse que o sistema de comportas poderia suportar uma elevação marítima em função do efeito estufa de até 60 centímetros. Em construção desde 2003, as barreiras devem entrar em funcionamento para emergências a partir de 30 de junho.

O fenômeno da "acqua alta" é mais comum entre o fim do outono e o início do inverno europeu e acontece quando o nível do Mar Adriático sobe e invade as águas da lagoa, inundando o centro histórico de Veneza.

As marés são influenciadas pelo ciclo lunar e por eventos meteorológicos, como tempestades e o vento de siroco, uma corrente de ar quente proveniente do deserto do Saara, mas fatores como o aquecimento global e o assoreamento do solo lagunar também contribuem para as enchentes.

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Ansa - Brasil   
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