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Conheça a bucólica comarca chinesa de Wuyuan

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Antonio Broto

A beleza pura e simples de suas dúzias de povoados, as limpas paisagens de colinas de chá, arrozais e flores amarelas, e certamente a amabilidade de suas pessoas, transformaram Wuyuan em uma das comarcas mais recomendadas para se visitar na China, quando há uma década era um lugar esquecido da zona rural do país.

A comarca de Wuyuan já é destino certo de mochileiros
A comarca de Wuyuan já é destino certo de mochileiros
Foto: Bas Harbers / EFE

Ao visitá-la, qualquer um se maravilha que durante tanto tempo o lugar não tenha sido incluído nas rotas turísticas pelo centro e leste da China. Não só por sua beleza intrínseca, com os típicos povoados da bacia do Yang Tsé com telhados escalonados, mas porque se encontra muito perto (80 quilômetros) de um dos lugares mais conhecidos pelo turismo chinês: Huangshan, a mítica Montanha Amarela, a qual já era visitada pelos imperadores há séculos.

De fato, ao pé dessa montanha ficam dois povoados muito similares aos de Wuyuan, chamados Xidi e Hongcun que, desde 2000, estão na lista de Patrimônio Mundial da Unesco e aparecem em algumas cenas do filme O Tigre e o Dragão.

Wuyuan, com povoados de similar aspecto a Xidi e Hongcun, não tem nada a invejar destes, embora talvez a fronteira provincial entre ambos tenha dificultado as comunicações entre as duas regiões durante anos.

Casas típicas mudadas para o turismo
A situação, no entanto, mudou na última década: povoados de Wuyuan como Wangkou, Xiaoqi, Xixiyancun e Jiangling têm pequenos hotéis, na realidade casas das famílias mudadas para o turismo, lojas de souvenires e bares com o tradicional vinho de arroz fermentado mijiu para os visitantes, preferencialmente chineses, já que o inglês ainda é pouco falado na região.

O desenvolvimento turístico também fez com que, para entrar nestes povoados, se tenha que pagar um passe especial, que serve para todos os povoados e com descontos para estudantes, algo que choca os turistas estrangeiros mas que, na realidade, é um costume repetido em praticamente todos os povoados pitorescos da China, incluindo outros mais famosos como Pingyao (norte) e Lijiang (sudoeste).

Tudo são indicadores de que Wuyuan saiu do ostracismo e já é uma comarca popular e visitada por muitos turistas chineses, especialmente procedentes de Xangai, pois graças a novas estradas ela fica a seis horas de ônibus da metrópole, um tempo relativamente curto para os padrões chineses.

No futuro ainda poderia melhorar sua acessibilidade, já que se está construindo uma linha de alta velocidade entre Pequim e Fuzhou (cidade do sudeste chinês) que passará pela região e a unirá à agora distante capital nacional em apenas quatro horas, até 2015.

De fato, a tranquilidade da comarca se vê de vez em quando interrompida por explosões distantes: são construtores dinamitando montanhas para abrir passagem às vias da alta velocidade.

Região de origem de Jiang Zemin
Uma das principais razões de Wuyuan ter ascendido meteoricamente como destino turístico na China é política, já que a família do ex-presidente da China, Jiang Zemin, é originária de um dos mais belos povoados da região, Jiangwan, onde praticamente todos os moradores tem sobrenome Jiang, como o ex-líder.

O presidente da China entre 1993 e 2003 visitou durante seu mandato a comarca e prometeu então a seus "parentes distantes" que os ajudaria a fazer com que o lugar fosse conhecido entre os turistas, mediante a construção de infraestruturas e a promoção nacional, como assim aconteceu e continua ocorrendo.

A visita a Wuyuan costuma começar em um dos povoados mais belos da comarca, Likeng, talvez o mais dotado de infraestruturas turísticas, como pequenos hotéis familiares e inclusive conexões gratuitas à internet para os visitantes.

O povoado é cortado por um pequeno canal com pontes de pedra e madeira, e fica ao pé de uma colina, por isso que um passeio até o local permite uma soberba vista, com a observação do por do sol. O ideal é tomar o chá que se cultiva na região, em uma das casinhas de madeira que há no alto.

Lugares sem aglomerações
Após visitar o povoado dos Li, pois assim são chamados todos em Likeng, muitos turistas alugam uma moto ou um táxi para visitar os terraços de Jiangling, cortados por pequenas aldeias tranquilas e pitorescas.

No alto dos terraços de Jiangling, se o turista visita a região no final de março ou princípio de abril, contempla o espetáculo de um Mar Amarelo de flores de colza (canola) que se estende pelas encostas e pelo vale por quilômetros e quilômetros, talvez a imagem que tornou a comarca de Wuyuan mais famosa.

Após estas paradas quase obrigatórias, o leque de possibilidades se abre em grande estilo: se pode visitar Jiangwan, com seu peculiar culto ao ex-presidente Jiang em fotos penduradas em toda a cidade. Ou Wangkou, encaixada no meio de um rio, outro lugar inigualável para ver o por do sol.

A ponte do Arco Íris (Caihongqiao), uma antiga ponte de pedra e madeira de 140 metros e com mais de mil anos de história, pois foi construída na antiga dinastia Song, também é outro local que vale a pena conferir.

São muitas as atrações de Wuyuan, mas talvez a maior seja a tranquilidade, em um país onde os destinos turísticos são inevitavelmente invadidos por hordas de visitantes, uma das desvantagens de um país superpovoado.

Em Wuyuan ainda é possível que os locais o convidem a um jantar, uma xícara de chá ou um cigarro, enquanto te contam, com o típico sotaque sulista de Yang Tsé, como os Guardas Vermelhos destruíram as decorações de madeira de sua casa.

EFE   
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