Cusco é o "umbigo do mundo"
O Sol, deus criador, enviou ao mundo seu filho, o Inca Manco Capac, e uma filha, Colla Mama Ocllo Huaco, para que tirassem os homens do estado selvagem em que viviam. Depositou-os perto do lago Titicaca e, dando-lhes uma varinha de ouro, ordenou que andassem até o lugar em que a varinha afundasse na terra facilmente: ali deveriam fundar a capital de um império. O lugar escolhido foi Cusco (ou Qosco, na ortografia tradicional, que na linguagem quéchua significa "umbigo do mundo") , ainda hoje uma das mais belas cidades do mundo, capital de dois impérios, o Inca e o Espanhol, e cenário de episódios marcantes da história americana. Na capital, acumulavam-se as riquezas vindas dos quatro pontos cardinais do Império Inca, por mais de 23 mil quilômetros de estradas.
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Aqui também se elevaram alguns magníficos monumentos construídos de pedra, trabalhada com técnicas nunca superadas é que ainda se pode admirá-los nas ruas cusquenhas. Sobre as ruínas do que é considerado o maior complexo de templos incas, o Sítio Qoricancha, ergueu sua morada Diego, irmão de Francisco Pizarro, comandante em chefe da Conquista; mais tarde foram construídos um mosteiro e uma igreja dedicada a Santo Domingo e que hoje é museu.
Conhece-se Cusco andando pelas ruas estreitas, subindo e descendo as inúmeras escadas que saem da praça central, a Plaza de Armas - onde fora executado o último líder inca, o rebelde Túpac Amaru.
Mas é para andar com calma: 2,6 mil metros é altura para deixar a cabeça tonta e afrouxar as pernas - a solução é andar devagar, beber pouco álcool e bastante chá de coca. A coca, em forma de folhas, pode também ser mastigada, como fazem os índios, colocando-se o bolo num lado da boca e deixando o suco amargo fluir lentamente, ou ainda na mais moderna e eficaz forma de pílulas, as Sorochepills. Soroche é o nome do desconforto provocado pela altura: começa com dores de cabeça e uma sensação de moleza no corpo todo. Às vezes, em casos mais graves, pode exigir cuidados médicos; nada que um pouco de oxigênio, disponível na maioria dos hotéis, não resolva em poucos minutos.
Andando pelas ruelas da cidade, vê-se as paredes datadas do tempo dos incas, e sobre elas construídas as igrejas e as residências dos espanhóis; o encaixe das enormes pedras talhadas é tão perfeito que não cabe uma lâmina de barbear entre elas, e mais de cinco séculos de terremotos não conseguiram sequer trincá-las.
Além dos monumentos (a Catedral e as várias igrejas, o Museo de Arte Precolombino) há de se visitar os mercados artesanais, onde se pode comprar tecidos de alpaca, peças de couro e artigos de prata, tapeçaria, instrumentos musicais e objetos de barro, além de curtir o ambiente, numa mistura de tradições locais, e turistas vindos dos cinco continentes.
A vida noturna é agitada: bares e pubs abrigam até altas horas uma fauna humana rica e bastante animada, ocasião certa para treinar inglês, espanhol e misturas de ambos com as línguas mais diversas.
Agência Andrés Bruzzone Comunicação