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Conheça a catedral de sal que encanta os colombianos

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Elisa Barragán Méndez
Mailyn Castro Peñuela

A cerca de 50 quilômetros de Bogotá (Colômbia) e a 180 metros abaixo da terra fica a imponente Catedral de Sal de Zipaquirá, uma construção subterrânea talhada pelos próprios mineradores como culto à Virgem de Guasá, escolhida por esses trabalhadores como sua padroeira.

Uma das metas essenciais da direção da Catedral é obter o reconhecimento mundial e a certidão de ser maravilha do mundo declarada
Uma das metas essenciais da direção da Catedral é obter o reconhecimento mundial e a certidão de ser maravilha do mundo declarada
Foto: Carlos Durán / EFE

Os próprios mineradores tiveram a ideia de que algo tão simples como o sal poderia ter mais utilidade do que apenas ser usado na comida ou para uso industrial.

Esta mina é o resultado da evaporação de um pequeno mar que havia na região há 70 milhões de anos e que, após um movimento telúrico que uniu os picos de duas montanhas, deixou o sal preso em uma cavidade no interior da terra.

Os especialistas asseguram que esta jazida conta com reservas de mais de 250 milhões de toneladas de sal e, segundo os estudos realizados, essa quantidade poderia ser explorada durante os próximos 500 anos.

Esta Catedral de Sal é considerada pelos colombianos como a primeira maravilha do país e se transformou no principal atrativo turístico para quem têm a possibilidade de percorrer em seu interior as 14 estações que Jesus Cristo sofreu a caminho do calvário.

O gerente da catedral, William Suárez, confirmou à Agência Efe que este monumento é visitado anualmente por 500 mil turistas, deles, "40% são estrangeiros e 60% colombianos".

O município de Zipaquirá fica muito perto da capital colombiana e é conhecida como a "cidade de sal" por ser um dos centros mais importantes de exploração deste mineral na Colômbia.

Para seu prefeito, Jorge Enrique González, este é "o lugar turístico por excelência da Colômbia, o que o transforma em um grande gerador de receita" para sua cidade.

Um calvário cavado em sal

A história desta mina começou há vários milênios, com "mais de 400 anos na parte hispânica e mais de 12 mil anos na parte pré-colombina, desde a época dos indígenas Muiscas", explicou à Efe González.

Em uma via-sacra de dois quilômetros são observadas as 14 estações do calvário de Cristo, com uma rica simbologia que se assemelha às frequentes talhadas em gesso ou cerâmica que podem ser vistas nas tradicionais igrejas e catedrais da Colômbia.

Estas encenações, todas talhadas em sal, vão se enterrando de forma mais profunda no solo como representação das quedas que Jesus Cristo sofreu no caminho de sua crucificação.

A cúpula central é uma alegoria ao contraste entre o céu, iluminado de azul e talhado à mão na rocha salgada, e a terra, criada à base de mármore branco, liso e suave.

A cruz principal, situada atrás do altar e de 16 metros de altura, é considerada como a mais alta do mundo debaixo da terra, segundo explicam os guias turísticos do templo e, em um engenhoso jogo de luzes, fica plasmada a batida do coração de Cristo com uma lenta e intermitente luz vermelha.

Uma das metas essenciais da direção da Catedral é obter o reconhecimento mundial e a certidão de ser maravilha do mundo declarada. "Estaremos trabalhando dia a dia para que sejamos de qualidade mundial e possamos competir com todos os lugares turísticos que existem no planeta", confirmou Suárez.

Por isso, neste mês de setembro estreou uma rede de iluminação a cargo da companhia holandesa Philips que incorpora a este monumento maior simbologia e atratividade.

Agora, os túneis da mina contam com dez mil luzes de diferentes cores e um sistema de som envolvente e de alta definição que respeita o ambiente e com um consumo menor de energia.

"Há uma pessoa que maneja a parte histórica da Catedral e com ela foi feito um estudo muito profundo para saber qual é o efeito ideal e a cor de luz que precisamos pôr em cada uma das estações", esclareceu Mauricio Villegas, gerente de projetos para a Colômbia Philips.

Este projeto de inauguração custou 4,1 bilhões de pesos (cerca de US$ 2,1 milhões) e com estas melhoras a Prefeitura de Zipaquirá espera que o número de visitantes chegue a 800 mil, já que, de acordo com González, se trata de "um lugar único que não se pode comparar com nenhum outro do mundo", ao lembrar que esta obra de arte tem como particularidade que é "construída nas entranhas da terra e é um lugar religioso".

Segurança e turismo

Apesar de sua enorme atratividade, o fato de se encontrar construída dentro dos túneis de uma mina provoca certas inquietações aos turistas pelos supostos riscos de adentrar nas escavações, mas o perigo não é tanto, segundo explicou à Efe o engenheiro encarregado de seu projeto, Jorge Enrique Castelblanco.

A catedral fica a 180 metros debaixo da terra, mas as propriedades elastoplásticas do sal permitem seu desgaste paulatino e evitam seu desmoronamento, acrescentou.

O engenheiro acrescentou que "o lugar onde fica a Catedral não tem explorações em cima, nem em baixo, ou seja, é um setor totalmente independente que nunca seria afetado por problemas estruturais", sobretudo se for levado em conta que os mineradores escavam 1.200 metros do templo em sentido horizontal.

Mineração, religião e turismo ficam desta forma unidas, entrelaçando o costume das extrações com as últimas novidades tecnológicas.

Quando o ex-presidente da Colômbia Alberto Lleras afirmou há mais de meio século que "com o sal de Zipaquirá se batizou a República", não estava tão errado, pois apesar de sua construção original, mantém atos tradicionais como batismos e bodas aonde as noivas chegam de limusine ao mais profundo da terra.

EFE   
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