Timo: conheça o pequeno órgão que afeta a longevidade
Estudo publicado na revista Nature mostra que as condições do timo na vida adulta podem reduzir o risco de morte e impactar a saúde do coração
Por muito tempo, o timo foi visto como um órgão cuja importância diminuía drasticamente depois da infância. Localizado no tórax, próximo ao coração, ele participa do desenvolvimento de células essenciais para a defesa do organismo. Agora, uma pesquisa publicada na revista Nature sugere que sua condição na vida adulta pode ter uma relação mais ampla com a saúde e a longevidade.
O estudo analisou dados de mais de 27 mil adultos e encontrou uma associação entre melhores condições do órgão e menor risco de morte ao longo do acompanhamento. A descoberta reacende o interesse científico por uma estrutura que, durante décadas, recebeu pouca atenção quando o assunto era o envelhecimento.
Por que o timo importa?
O timo faz parte do sistema imunológico e tem uma função especialmente importante nos primeiros anos de vida. É nele que os linfócitos T amadurecem, preparando essas células para reconhecer e combater diferentes ameaças ao organismo.
Contudo, o órgão não permanece igual ao longo da vida. Com o passar dos anos, ele sofre a chamada involução tímica. Nesse processo natural, diminui de tamanho e parte do tecido funcional dá lugar à gordura. Essa transformação ajudou a criar a ideia de que sua atuação teria pouca relevância na fase adulta. Os novos resultados, porém, apontam para uma possibilidade diferente.
O que o estudo encontrou?
Para investigar a relação entre o órgão e a saúde, então, os pesquisadores avaliaram participantes de dois grandes estudos, utilizando imagens de tomografia computadorizada e ferramentas de aprendizado profundo.
Durante 12 anos de acompanhamento, 13,4% das pessoas com melhor saúde tímica morreram, contra 25,5% entre aquelas que apresentavam condições menos favoráveis do órgão. A análise levou os pesquisadores a estimar um risco de morte cerca de 51% menor no primeiro grupo.
Além disso, uma melhor condição do timo apareceu associada a menor risco de desenvolver câncer de pulmão e de morrer por doenças cardiovasculares. Para Hugo Aerts, oncologista da Universidade de Harvard e diretor do programa de Inteligência Artificial em Medicina do Mass General Brigham, o resultado foi além do que a equipe esperava.
"Suspeitávamos que o timo adulto ainda pudesse ser importante, mas fomos surpreendidos", afirmou em entrevista ao 'El Tiempo'.
O que pode afetar o órgão?
A pesquisa também encontrou relações entre a condição do timo e diferentes características do organismo e do estilo de vida. Entre elas estão:
- Idade;
- Sexo;
- Índice de massa corporal;
- Atividade física;
- Marcadores de inflamação;
- Saúde metabólica.
Esses fatores, contudo, não significam que hábitos específicos sejam capazes de preservar o órgão ou garantir uma vida mais longa. Os resultados mostram associações, e ainda são necessários estudos para entender quais mecanismos podem explicar essas relações.
Nesse sentido, a pesquisa não transforma o timo em uma nova fórmula para a longevidade. Ela amplia, sobretudo, as perguntas sobre o papel que esse órgão pode desempenhar durante o envelhecimento. Aerts resumiu, para o jornal, a mudança de perspectiva provocada pelos resultados: "Isso sugeriu que o timo adulto é muito mais importante do que se considerava anteriormente".
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