Tempo com os netos ajuda a preservar o cérebro de idosos, aponta estudo
Uma pesquisa recente avaliou 2.887 avós com mais de 50 anos para compreender como as interações com as crianças influenciam a redução do declínio cognitivo.
As atividades físicas, o cuidado com o emocional e uma alimentação equilibrada são fatores importantes para preservar a saúde com o avanço da idade. Recentemente, um novo estudo publicado pela Associação Americana de Psicologia acrescentou um item inesperado a essa lista: o tempo de convivência com os netos, apontado como capaz de proteger o cérebro de idosos e reduzir o risco de declínio cognitivo.
Entenda o experimento
A pesquisa reuniu dados de 2.887 avós com mais de 50 anos, participantes do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento. Em seguida, a fim de compreender os efeitos do tempo com crianças no bem-estar dos adultos, os cientistas aplicaram questionários com perguntas sobre as atividades realizadas nesse período e a frequência dos encontros.
Os voluntários também foram submetidos a testes cognitivos em três momentos distintos, entre 2016 e 2022. A partir disso, o estudo identificou as principais formas de interação entre os familiares, como cuidados noturnos ou apoio após diagnósticos de saúde. Alguns idosos também relataram dedicar tempo a brincadeiras, ao preparo de refeições, à ajuda com lições escolares e ao acompanhamento na escola.
Impactos dos encontros no cérebro de idosos
Essas trocas, de acordo com a pesquisa, independentemente da frequência ou do tipo, estão associadas a melhores resultados nos testes cognitivos. Em comparação com aqueles que não costumam cuidar dos netos, os avós mais próximos das crianças apresentaram menor declínio e, assim, mantiveram funções como memória e fala mais estáveis.
Os efeitos positivos ocorreram somente entre as vovós, que normalmente assumem a condução das atividades, enquanto os avôs costumam auxiliá-las. Os pesquisadores apontam que ainda são necessários mais estudos para determinar os reais motivos por trás dessa influência. No entanto, o levantamento já a relaciona ao aumento das interações sociais, responsáveis por ajudar a prevenir demências, em decorrência do estímulo físico, cerebral e emocional.