Sou psicóloga e explico como a presença (ou ausência) do pai na infância deixa marcas para a vida toda
Entenda como a função paterna influencia o desenvolvimento emocional e os relacionamentos
Em um mundo onde ainda se espera que o pai "ajude", é preciso dizer com todas as letras: o pai não é acessório. Sua presença (ou ausência) atravessa a infância de um jeito que marca e reverbera por toda a vida adulta.
A função paterna vai muito além de prover ou de brincar nos finais de semana. O pai é, simbolicamente, quem delimita, orienta, sustenta. É quem permite que a criança se diferencie da mãe e vá, aos poucos, construindo sua identidade no mundo. Quando esse papel é vivido com presença afetiva, respeito e consistência, se torna uma base segura — mesmo com falhas, mesmo sem perfeição.
Mas este texto não é para exaltar pais heróis, e sim para convidar à presença real e possível. Porque o que transforma não é o gesto grandioso, mas a repetição cotidiana de pequenas escolhas: escutar de verdade, dividir responsabilidades, se implicar no cuidado, saber colocar limites com amor.
Para muitas mulheres, a maternidade reativa também as dores da própria infância. A ausência emocional ou física do pai, a dificuldade de confiar, o medo de ser abandonada, a necessidade de controle. Tudo isso pode emergir com força no puerpério e nos anos seguintes. E nem sempre está claro. Às vezes, é no excesso de sobrecarga ou na dificuldade em soltar o controle que a mulher revela feridas antigas, que têm a ver com a sua história, e não apenas com o companheiro atual.
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