Solidão é um fator de risco para a doença de Parkinson, aponta estudo
Solidão pode aumentar o risco de Parkinson, aponta estudo
A ciência segue desvendando os mistérios do corpo humano, e um novo estudo revela que nossas conexões emocionais podem estar mais ligadas à saúde neurológica do que se imaginava. Desta vez, os pesquisadores apontam a solidão como um possível fator de risco para o desenvolvimento do Parkinson, uma doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas no mundo.
Uma condição que desafia a ciência
Estima-se que mais de 250 mil brasileiros vivem com Parkinson atualmente, e o número global ultrapassa os quatro milhões. A doença afeta principalmente os movimentos, mas também pode impactar outras funções cognitivas com o tempo.
Apesar dos avanços científicos, as causas exatas do Parkinson ainda não são completamente conhecidas. Acredita-se que a condição seja provocada por uma combinação de fatores genéticos, ambientais e neurológicos - mas o impacto de fatores emocionais têm ganhado cada vez mais atenção.
A solidão como um alerta
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Neurology trouxe uma descoberta impressionante: o sentimento de solidão, quando persistente, pode elevar significativamente o risco de desenvolver Parkinson. O estudo acompanhou quase 500 mil pessoas durante 15 anos. No início, nenhuma delas havia sido diagnosticada com a doença. Mas ao longo do tempo, mais de 2.800 participantes desenvolveram Parkinson. Entre esses casos, os sentimentos de solidão apareceram como um padrão.
Mesmo após considerar fatores como idade, histórico familiar, obesidade, tabagismo, diabetes, hipertensão e depressão, a solidão manteve uma forte associação com o risco da doença. Curiosamente, os pesquisadores notaram que esse risco não era imediato: ele só aumentava quando o isolamento emocional persistia por cinco anos ou mais.
O que pode causar o Parkinson?
Ainda não existe uma única causa definida para o Parkinson, mas há alguns fatores que podem aumentar a predisposição ao surgimento da doença:
- Envelhecimento natural do cérebro;
- Histórico familiar e predisposição genética;
- Sexo masculino;
- Lesões ou traumas na cabeça;
- Inflamação crônica no sistema nervoso;
- Estresse oxidativo.
Estar atento a esses fatores (principalmente quando há mais de um presente) pode ajudar na prevenção e no diagnóstico precoce da doença.
Sinais que merecem atenção
O Parkinson costuma se manifestar de forma discreta no início. À medida que a doença avança, os sintomas se tornam mais evidentes. Caso esses sinais apareçam com frequência, é importante buscar uma avaliação médica especializada. Entre os principais sinais estão:
- Tremores involuntários, especialmente nas mãos;
- Movimentos mais lentos que o habitual;
- Rigidez nos músculos;
- Dificuldade de equilíbrio e postura;
- Mudanças na escrita (letras menores e tremidas);
- Alterações na fala (tom mais baixo ou monótono).
Cuidar do corpo… e dos laços afetivos
Esse novo achado científico nos convida a olhar com mais carinho para nossos vínculos. A solidão não afeta apenas o emocional - ela pode impactar diretamente o funcionamento do nosso cérebro. Cultivar boas relações, manter-se ativo socialmente e buscar ajuda quando necessário são formas poderosas de autocuidado. Afinal, saúde também é afeto, presença e conexão.