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Setembro Verde: 45% das famílias ainda recusam a doação de órgãos no Brasil

Quase 50 mil brasileiros aguardam por um transplante; entenda por que conversar com a família sobre o desejo de ser doador é fundamental

2 set 2026 - 13h10
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Resumo
Mesmo com recordes em transplantes, 45% das famílias brasileiras ainda recusam a doação de órgãos, principal obstáculo para atender quase 50 mil pessoas na fila de espera, liderada pela demanda por rins. Durante a campanha Setembro Verde, especialistas alertam que a autorização familiar é obrigatória por lei para a retirada dos órgãos. Por isso, conversar com parentes em vida é fundamental para garantir que a vontade do doador seja respeitada e salvar vidas que aguardam compatibilidade técnica.

Um transplante pode representar a chance de recomeçar para quem enfrenta uma doença grave. No Brasil, porém, milhares de pessoas continuam esperando por órgãos, enquanto um dos principais obstáculos para ampliar o número de procedimentos permanece fora dos hospitais: a autorização das famílias.

Doação de órgãos enfrenta 45% de recusa familiar no Brasil; no Setembro Verde, entenda como funciona a fila de transplantes
Doação de órgãos enfrenta 45% de recusa familiar no Brasil; no Setembro Verde, entenda como funciona a fila de transplantes
Foto: Reprodução: SewcreamStudio/Getty Images / Bons Fluidos

Mesmo após o país alcançar um recorde de transplantes de órgãos e tecidos em 2025, cerca de 45% das famílias ainda recusam a doação. O dado ganha destaque durante o Setembro Verde, campanha dedicada à conscientização sobre a importância da doação de órgãos.

Atualmente, 49.489 pessoas aguardam por um órgão no país, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Nesse cenário, compreender como funciona o processo - e, principalmente, conversar sobre o assunto dentro de casa - pode fazer diferença.

Para ser doador, é fundamental conversar com a família

No Brasil, manifestar em vida o desejo de doar os órgãos é importante, mas não basta para garantir que isso aconteça após a morte. A retirada depende da autorização dos familiares, que podem ser consultados até o segundo grau de parentesco.

Isso significa que, mesmo que alguém tenha registrado sua intenção de ser doador em algum documento, a família terá papel decisivo no momento da autorização. Por esse motivo, especialistas ressaltam a importância de falar abertamente sobre o tema. Quando familiares conhecem previamente a vontade daquela pessoa, existe uma chance maior de que ela seja respeitada.

Embora a morte e a doação de órgãos possam ser assuntos difíceis de abordar, uma conversa feita com antecedência evita que essa decisão seja apresentada pela primeira vez justamente em um momento marcado pelo luto.

Quase 50 mil pessoas esperam por um órgão

Entre os 49.489 brasileiros atualmente na espera, a maior demanda é pelo transplante de rim. Depois aparecem os pacientes que necessitam de fígado, coração, transplante combinado de pâncreas e rim, pulmão, pâncreas e transplante multivisceral.

Mas uma dúvida bastante comum envolve a chamada "fila do transplante". Apesar do nome, ela não funciona exatamente como uma fila convencional, na qual a primeira pessoa a chegar necessariamente será a primeira atendida.

A distribuição dos órgãos de doadores falecidos é organizada pelo Sistema Nacional de Transplantes e pelas centrais responsáveis, seguindo regras e critérios técnicos que variam de acordo com o órgão.

Como funciona a fila de transplantes?

Para entrar na lista, o paciente precisa ser inscrito por uma equipe médica autorizada. A partir daí, passa a aguardar um órgão compatível. Quando uma doação se torna disponível, diferentes informações são analisadas para determinar quem poderá receber aquele órgão. Entre elas estão compatibilidade, condição clínica, grau de urgência e tempo de espera, sempre de acordo com os critérios específicos estabelecidos para cada tipo de transplante.

Por isso, estar há mais tempo na lista não significa, necessariamente, ser o próximo a receber um órgão. Dependendo da situação, uma pessoa que entrou posteriormente pode apresentar uma condição de maior urgência ou ser mais compatível com aquele doador.

No caso do transplante de fígado, por exemplo, o estado de saúde do paciente tem grande peso na definição da prioridade. Essa classificação leva em consideração resultados de exames e regras específicas para determinadas condições clínicas. Todo o processo segue critérios técnicos, e quem está na lista pode acompanhar sua situação pelos canais oficiais.

Por que a decisão da família é tão importante?

A alta taxa de recusa ajuda a explicar por que campanhas como o Setembro Verde continuam necessárias. Embora a medicina tenha avançado e o Brasil possua um sistema estruturado de transplantes, é preciso que existam órgãos disponíveis para que esses procedimentos aconteçam. E, nos casos de doadores falecidos, uma das etapas decisivas passa justamente pela família.

A doação pode permitir que diferentes órgãos e tecidos sejam destinados a pacientes que aguardam por um transplante. Para quem deseja ser doador, portanto, uma das atitudes mais importantes pode ser também uma das mais simples: contar essa decisão às pessoas próximas.

Falar sobre o assunto enquanto se está saudável permite que a família conheça esse desejo antes de precisar tomar uma decisão em circunstâncias delicadas. Em um país com quase 50 mil pessoas esperando por um órgão, transformar essa vontade em uma conversa pode ser o primeiro passo para que, no futuro, ela também se transforme em uma nova chance de vida para alguém.

Bons Fluidos
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