Uma em cada 10 manicures de SP tem hepatite, aponta estudo
Que existem chances de transmissão de algumas doenças por meio dos instrumentos usados para fazer unha muitas pessoas já sabem. Mas, o que a maioria não desconfia é que a profissional é também vítima do contágio das hepatites B e C. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde na cidade de São Paulo, cujos dados apontam que uma em cada 10 manicures tem a doença. Ao total, oito delas apresentaram o tipo B, enquanto as outras duas possuem o tipo C.
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No estudo realizado entre 2006 e 2007, foram entrevistadas 100 participantes das quais 50 trabalham em shoppings centers e o restante em salões de beleza localizados em alguns bairros da capital paulistana. Servem de alerta também outras duas constatações, como a falta de utilização de medidas de biossegurança para evitar a transmissão dos vírus e ainda a desinformação em relação ao risco de contágio dentro da atividade que exercem. Para se ter idéia, 72% desconhecia as formas de transmissão da hepatite B e 85% não sabia como se pega hepatite C. Além disso, 45% acreditava não transmitir nenhuma doença a seus clientes.
Segundo Paulo Olzon Monteiro da Silva, infectologista chefe da disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a melhor maneira de prevenção é conhecer os riscos de transmissão envolvidos na profissão. "Para a hepatite B existe vacina e é aconselhável que alguns profissionais, como dentista e manicure, passem pela vacinação", afirma. "Outra boa prática é usar luvas sempre", aconselha o médico.
E embora a vacina esteja disponível gratuitamente às profissionais da categoria no Sistema Único de Saúde (SUS), a pesquisa mostrou que 74% das manicures não estão imunizadas.
"O grande problema é que essas profissionais usam o mesmo instrumental para tirar a própria cutícula", afirma Andréia Cristine Deneluz Schunck de Oliveira, enfermeira do Instituto Emílio Ribas responsável pelo estudo. "Como em geral não adotam os cuidados de biossegurança, é bem provável que estejam se contaminando com a hepatite e transmitindo o vírus também às suas clientes", diz a enfermeira.
O infectologista Olzon diz que todos os materiais usados na realização da manicure e pedicure (alicate de cutícula, cortadores de unha, espátulas) devem ser lavados com detergente antes da esterilização. O melhor aparelho voltado para isso é o autoclave, usado somente por 26% das entrevistadas. Dentre as participantes da pesquisa, 8% utiliza até forno elétrico e 2% contou não usar nenhum método para esse fim.
Conheça um pouco sobre as hepatites B e C:
Hepatite B
O que é:
inflamação do fígado causada pelo vírus HBV.
Transmissão:
o contágio é feito por meio de transfusão de sangue, contato sexual sem camisinha e perfuração por objetos contaminados.
Prevenção:
tomar vacina.
Diagnóstico:
realizado por meio de sorologia, ou seja, exame de sangue no qual detecta a presença de anticorpos contra o vírus HBV.
Sintomas:
cansaço, indisposição, dor nas juntas, fezes claras, urina escura e icterícia (coloração amarelada das mucosas e da pele). Em alguns casos, ainda há febre.
Tratamento:
realizado com Interferol. "A medicação é injetada na veia e, por ser um tratamento delicado, é indicada internação", afirma Olzon. "Há efeitos colaterais graves, como queda de cabelo e infecções por causa da redução da resistência", explica o médico.
Riscos:
insuficiência hepática e câncer de fígado. Em casos severos, necessidade de transplante de fígado.
Hepatite C
O que é:
inflamação do fígado causada pelo vírus HCV.
Transmissão:
o vírus é contraído por meio de materiais contaminados.
Prevenção:
não existe vacina contra o vírus HCV.
Diagnóstico:
realizado por meio de sorologia, ou seja, exame de sangue no qual detecta a presença de anticorpos contra o vírus HBV.
Sintomas: "Geralmente, o paciente descobre a hepatite C por acaso quando realiza um exame de sangue", diz o infectologista. "O vírus desse tipo de hepatite evolui lentamente e a pessoa não percebe", explica Olzon.
Tratamento: também realizado com prescrição de Interferon.
Riscos: insuficiência hepática, sendo necessário em alguns casos, o transplante de fígado.