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Tudo sobre a bactéria H. pylori e suas consequências no organismo

Helicobacter pylori: entenda o que é, formas de transmissão, fatores de risco, sintomas, gastrite, úlcera péptica, prevenção e tratamento

14 abr 2026 - 06h32
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A bactéria Helicobacter pylori, também conhecida como H. pylori, é um microrganismo que se instala principalmente na mucosa do estômago e do início do intestino delgado. Essa bactéria consegue sobreviver em um ambiente ácido graças à produção de substâncias que neutralizam parcialmente o ácido gástrico. A presença prolongada de H. pylori pode provocar inflamação da parede do estômago, favorecendo o surgimento de gastrite, úlceras e, em alguns casos, alterações mais graves.

De forma geral, a infecção por Helicobacter pylori é muito comum em todo o mundo, especialmente em regiões com menor acesso a saneamento básico e água tratada. Muitas pessoas carregam a bactéria desde a infância e passam anos sem perceber, pois nem sempre surgem sintomas. Mesmo assim, o acompanhamento médico é importante, já que a infecção crônica está associada a doenças do sistema digestivo que exigem diagnóstico e tratamento adequados.

O que é Helicobacter pylori e por que ela é importante?

A Helicobacter pylori é uma bactéria em forma de espiral, com flagelos que facilitam sua mobilidade na mucosa gástrica. Ela se fixa na camada de muco que protege o estômago e produz enzimas, como a urease, que ajudam a diminuir a acidez local. Essa capacidade permite que o microrganismo se mantenha vivo em uma área que, em teoria, seria hostil à maioria das bactérias.

A importância da H. pylori está na relação direta com doenças do trato gastrointestinal superior. A presença contínua da bactéria provoca uma resposta inflamatória da mucosa, o que pode resultar em gastrite crônica, úlcera péptica (no estômago ou duodeno) e, em alguns casos específicos, está associada a um maior risco de câncer gástrico e linfoma do estômago. Nem todos os infectados vão desenvolver essas complicações, mas a infecção é considerada um dos principais fatores modificáveis para esse tipo de problema.

Presente na mucosa gástrica, a H. pylori está associada a inflamações como gastrite e pode favorecer o desenvolvimento de úlceras ao longo do tempo – depositphotos.com / PRB ARTS
Presente na mucosa gástrica, a H. pylori está associada a inflamações como gastrite e pode favorecer o desenvolvimento de úlceras ao longo do tempo – depositphotos.com / PRB ARTS
Foto: Giro 10

Como ocorre a transmissão da Helicobacter pylori entre as pessoas?

A transmissão da Helicobacter pylori acontece, principalmente, por contato entre pessoas e por condições de higiene inadequadas. A rota mais aceita é a chamada via oral-oral ou fecal-oral. Em ambientes onde há compartilhamento de utensílios, água contaminada ou saneamento precário, o contágio tende a ser mais frequente, especialmente durante a infância.

Algumas formas comuns de transmissão incluem:

  • Contato direto com saliva, por meio de talheres, copos ou escovas de dente compartilhados;
  • Consumo de água ou alimentos contaminados por fezes contendo a bactéria;
  • Ambientes domiciliares com muitas pessoas em pouco espaço, o que facilita o contato próximo.

Apesar de a transmissão ocorrer entre indivíduos, a bactéria não costuma ser classificada como altamente contagiosa como alguns vírus respiratórios. Na prática, a combinação de más condições de saneamento, aglomeração e falta de higiene das mãos e dos alimentos aumenta de forma significativa a chance de infecção.

Quais são os principais fatores de risco para pegar Helicobacter pylori?

Os fatores de risco para H. pylori estão relacionados, em grande parte, ao contexto de vida da pessoa. A infecção é mais frequente em famílias que moram em residências com muitos moradores, em regiões sem tratamento adequado de água e esgoto e em locais onde o acesso a cuidados básicos de saúde é limitado.

Entre os fatores de risco mais citados estão:

  • Condições de saneamento precárias: ausência de rede de esgoto, uso de água não tratada e descarte inadequado de resíduos;
  • Baixo nível socioeconômico: maior probabilidade de viver em locais com infraestrutura insuficiente;
  • Moradia com alta densidade de pessoas: muitos indivíduos em um mesmo ambiente facilitam a propagação;
  • Contato próximo com pessoas já infectadas dentro da mesma casa;
  • Histórico de infecção na infância, fase em que o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento.

Outros elementos, como hábitos alimentares inadequados e uso prolongado de certos medicamentos, podem agravar os efeitos da infecção já existente, embora não sejam, por si só, a principal causa da colonização pela bactéria.

Quais são os sintomas da infecção por Helicobacter pylori?

A infecção por H. pylori pode permanecer silenciosa por anos, sem manifestação clara. Quando há sintomas, eles costumam estar ligados à irritação da mucosa gástrica e ao desenvolvimento de gastrite ou úlcera. Os sinais mais relatados incluem:

  • Dor ou queimação na parte superior do abdômen, principalmente em jejum ou à noite;
  • Sensação de estômago cheio rapidamente, mesmo após pequenas refeições;
  • Desconforto abdominal, gases e inchaço;
  • Náuseas ocasionais;
  • Arrotos frequentes ou gosto amargo na boca.

Em situações mais graves, podem aparecer sintomas como perda de peso sem explicação, vômitos com sangue ou fezes escuras, o que sugere sangramento digestivo. Nesses casos, a procura por atendimento médico costuma ser imediata, pois há risco de complicações relacionadas às úlceras.

Gastrite, úlcera péptica e outras complicações da H. pylori

A gastrite associada à Helicobacter pylori ocorre quando a mucosa do estômago fica inflamada devido à presença constante da bactéria. Essa inflamação pode ser leve ou intensa, e, com o tempo, provocar danos estruturais. Em parte dos casos, essa gastrite evolui para úlcera péptica, que é uma ferida aberta na parede do estômago ou do duodeno.

As úlceras podem causar dor intensa, principalmente em jejum, e podem sangrar. Quando o sangramento é significativo, surgem sinais como fezes escuras, vômitos com sangue ou fraqueza intensa. Além disso, a infecção crônica, mantida por anos, está relacionada a um risco aumentado de câncer gástrico em determinados grupos, especialmente quando há histórico familiar e outros fatores associados.

Outras possíveis complicações incluem:

  1. Alterações na secreção de ácido gástrico, com piora do refluxo em algumas pessoas;
  2. Desenvolvimento de linfoma de tecido linfoide associado à mucosa gástrica (MALT), em casos específicos;
  3. Desnutrição indireta, quando a dor e o desconforto levam à redução da ingestão alimentar.

Como prevenir a infecção por Helicobacter pylori?

A prevenção da H. pylori está fortemente ligada a medidas de higiene e saneamento. Embora não exista, até o momento, uma vacina amplamente disponível para uso rotineiro, algumas atitudes reduzem o risco de contágio e de transmissão entre pessoas, especialmente em ambientes com crianças.

Entre as principais medidas preventivas, destacam-se:

  • Lavar as mãos com água e sabão antes das refeições e após ir ao banheiro;
  • Consumir água tratada ou fervida, principalmente em áreas sem rede de abastecimento segura;
  • Lavar bem frutas, verduras e legumes antes do consumo;
  • Evitar compartilhar talheres, copos, pratos e escovas de dente;
  • Manter os alimentos bem conservados, evitando contaminação por insetos ou sujeira.

Além disso, políticas públicas que ampliam o acesso a saneamento básico, coleta de esgoto e tratamento de água têm impacto direto na redução da taxa de infecção pela bactéria em uma população.

Medidas simples de higiene, como lavar bem as mãos e evitar compartilhar utensílios, ajudam a reduzir o risco de infecção por Helicobacter pylori – depositphotos.com / aamine29000
Medidas simples de higiene, como lavar bem as mãos e evitar compartilhar utensílios, ajudam a reduzir o risco de infecção por Helicobacter pylori – depositphotos.com / aamine29000
Foto: Giro 10

Quais são as formas de tratamento atuais para Helicobacter pylori?

O tratamento da Helicobacter pylori tem como objetivo eliminar a bactéria e reduzir a inflamação do estômago, diminuindo o risco de gastrite, úlcera e outras complicações. Em geral, são utilizados esquemas que combinam mais de um antibiótico com medicamentos que reduzem a acidez gástrica, chamados inibidores de bomba de prótons.

Os esquemas mais usados costumam incluir:

  1. Um inibidor de bomba de prótons para diminuir a produção de ácido;
  2. Dois ou mais antibióticos em associação, por um período que pode variar de 10 a 14 dias, conforme orientação médica;
  3. Em alguns protocolos, inclusão de sais de bismuto, quando necessário.

Após o término do tratamento, é comum a realização de exames específicos, como teste respiratório, exame de fezes ou endoscopia com biópsia, para confirmar se a bactéria foi erradicada. Em caso de falha terapêutica, pode ser indicado um novo esquema com antibióticos diferentes. O acompanhamento regular com profissional de saúde é essencial para ajustar o tratamento, orientar hábitos alimentares e monitorar possíveis recidivas.

Com informação adequada, diagnóstico precoce e adesão ao tratamento, a infecção por Helicobacter pylori pode ser controlada, reduzindo o impacto da bactéria na saúde digestiva e prevenindo complicações futuras.

Giro 10
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