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Cigarro e câncer: entenda como o hábito de fumar está associado a diversos tipos de tumores

Além do câncer de pulmão, o tabagismo pode aumentar as chances de desenvolver outros tumores

1 jun 2026 - 11h01
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Mais de 90 mil casos de câncer no Brasil estão associados ao tabagismo, segundo projeção divulgada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). O dado dimensiona o impacto de um dos principais fatores de risco evitáveis para a doença e mostra que o problema permanece relevante mesmo após décadas de redução do consumo de cigarros no país.

Parar de fumar reduz significativamente as chances de desenvolver diversos tipos de câncer
Parar de fumar reduz significativamente as chances de desenvolver diversos tipos de câncer
Foto: chayanuphol | Shutterstock / Portal EdiCase

Estimativas do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que cerca de 20 milhões de brasileiros ainda fumam. O cenário também é reforçado pelas projeções mais recentes do INCA, que apontam para aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028.

Além dos impactos individuais, o tabagismo gera consequências expressivas para toda a sociedade. Segundo o Tobacco Atlas, o custo anual associado ao consumo de tabaco no Brasil é de aproximadamente R$ 126,9 bilhões, considerando gastos em saúde e perdas relacionadas à incapacidade, afastamentos e mortes prematuras.

Cigarro está associado a diversos tipos de câncer

Embora o câncer de pulmão seja a doença mais frequentemente associada ao cigarro, o tabagismo está relacionado a diversos outros tumores, incluindo câncer de boca, laringe, esôfago, pâncreas, bexiga, colo do útero, colorretal, entre outros. Ainda assim, essa associação nem sempre é amplamente reconhecida pela população, o que pode dificultar a percepção da real dimensão dos riscos relacionados ao consumo de tabaco. 

"O cigarro pode contribuir para o desenvolvimento de câncer em praticamente qualquer região do corpo. Em alguns tumores, como os de boca, laringe e esôfago, o risco é ainda maior quando o tabagismo está associado ao consumo de bebidas alcoólicas", alerta o oncologista Rodrigo Coutinho Mariano, da Croma Oncologia.

Para se ter uma ideia da dimensão desse impacto, a fumaça do tabaco contém mais de 7 mil substâncias químicas, das quais pelo menos 70 são reconhecidamente cancerígenas. Ao longo dos anos, esses compostos provocam danos ao DNA, favorecem processos inflamatórios crônicos e aumentam o acúmulo de mutações capazes de transformar células saudáveis em células malignas.

Perigo existe mesmo para quem fuma pouco

Outro equívoco frequente é acreditar que fumar pouco ou apenas em ocasiões sociais não representa riscos significativos para a saúde. "Mesmo pessoas que fumavam menos de um cigarro por dia ao longo da vida apresentaram maior risco de câncer e morte precoce quando comparadas àquelas que nunca fumaram", explica o oncologista. 

O perigo existe mesmo para quem fuma pouco. "O risco aumenta conforme a carga acumulada de exposição ao tabaco, mas isso não significa que pequenas quantidades sejam inofensivas", alerta Rodrigo Coutinho Mariano.

Cigarros eletrônicos e narguilé também preocupam

A preocupação dos especialistas também se volta para os novos produtos de nicotina. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2024, o uso de dispositivos eletrônicos para fumar alcançou 2,4% da população adulta. Entre jovens de 18 a 24 anos, porém, esse percentual chegou a 10,1%. Considerando conjuntamente cigarros convencionais e dispositivos eletrônicos, a frequência de consumo atingiu 13,1% entre adultos e 19,8% nesta faixa etária.

"O tabagismo mudou de aparência. Hoje ele pode vir na forma de vape, narguilé ou dispositivos de tabaco aquecido, muitas vezes associados a sabores e designs atrativos para os mais jovens. Mas isso não significa que sejam seguros. Eles mantêm a exposição à nicotina, favorecem a dependência e colocam os usuários em contato com substâncias potencialmente tóxicas", ressalta Rodrigo Coutinho Mariano.

Sintomas persistentes ou recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde
Sintomas persistentes ou recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde
Foto: Hryshchyshen Serhii | Shutterstock / Portal EdiCase

Sintomas merecem atenção e investigação

Entre os principais sinais de alerta dos cânceres relacionados ao tabagismo, estão:

  • Tosse persistente;
  • Falta de ar progressiva;
  • Sangue no escarro;
  • Rouquidão prolongada;
  • Feridas na boca que não cicatrizam;
  • Dificuldade para engolir;
  • Sangue na urina;
  • Icterícia;
  • Perda de peso sem explicação.

Qualquer sintoma persistente ou recorrente deve ser investigado, especialmente em fumantes e ex-fumantes.

Abandonar o cigarro traz ganhos em qualquer idade 

Os benefícios de parar de fumar começam a aparecer em qualquer fase da vida e aumentam com o passar do tempo. Entre cinco e dez anos após abandonar o cigarro, o risco de desenvolver câncer de boca, garganta e laringe pode ser reduzido pela metade. No caso do câncer de pulmão, esse risco pode cair cerca de 50% após dez a quinze anos sem fumar. 

"Nunca é tarde para parar. Além de reduzir o risco de câncer, abandonar o cigarro melhora a tolerância aos tratamentos oncológicos, diminui complicações, reduz o risco de novos tumores e está associado a melhores taxas de sobrevida. A dependência de nicotina pode exigir acompanhamento profissional e tratamento adequado, e buscar ajuda aumenta significativamente as chances de sucesso", conclui Rodrigo Coutinho Mariano.

Por Pamela Moraes

Portal EdiCase
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