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Sheron Menezzes fala sobre desafios para engravidar: especialistas explicam causas

Atriz rompeu o silêncio sobre um problema que afeta diversas famílias

18 jun 2026 - 10h59
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Resumo
Sheron Menezzes compartilhou sua luta de três anos para engravidar novamente, destacando desafios emocionais e físicos enfrentados por muitos casais. Especialistas abordam fatores que impactam a fertilidade, como idade, reserva ovariana e endometriose, além de enfatizarem a importância do diagnóstico precoce e o papel do homem no processo reprodutivo. 🍼

Atriz revelou que tenta uma nova gestação há três anos; especialistas explicam os fatores que podem influenciar a fertilidade e a importância da investigação precoce

A atriz Sheron Menezzes emocionou o público ao revelar, durante participação no programa Saia Justa, que enfrenta há três anos o desafio de tentar engravidar novamente. Mãe de Benjamin, de 7 anos, a artista falou abertamente sobre a ansiedade, as expectativas e as frustrações que acompanham o processo de quem deseja ampliar a família, mas encontra dificuldades de fertilidade pelo caminho.

Globo/Divulgação
Globo/Divulgação
Foto: Revista Malu

O relato trouxe visibilidade a uma realidade vivida por milhares de mulheres e casais. Embora a maternidade seja frequentemente retratada como uma escolha pessoal, especialistas lembram que a fertilidade é influenciada por diversos fatores biológicos e nem sempre acontece no tempo desejado.

Segundo a médica especialista em reprodução humana Dra. Bruna Begossi, um dos principais equívocos quando o assunto é fertilidade é acreditar que a dificuldade para engravidar está necessariamente ligada apenas à mulher.

"Muitas pessoas ainda acreditam que infertilidade é um problema da mulher, mas metade dos casos envolve fator masculino. Quando um casal enfrenta dificuldade para engravidar, o olhar precisa ser conjunto, porque fertilidade é construída por dois", explica.

O tempo influencia, mas não determina sozinho as chances de gravidez

A idade continua sendo um dos fatores mais importantes quando se fala em fertilidade feminina. A partir dos 35 anos, ocorre uma redução progressiva da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que pode tornar a gestação mais difícil.

"Existe uma queda mais evidente da fertilidade após os 35 anos, mas isso não significa que uma mulher de 36, 37 ou 40 anos não consiga engravidar naturalmente. O ponto é entender que as chances mudam progressivamente e merecem planejamento", afirma Bruna Begossi.

A especialista destaca que transformar a idade em uma sentença definitiva apenas aumenta a ansiedade de quem está tentando engravidar.

Reserva ovariana e alterações hormonais podem interferir

Além da idade, outros fatores precisam ser avaliados durante a investigação da fertilidade. Entre eles está a reserva ovariana, que representa o potencial reprodutivo da mulher.

"As causas ovarianas costumam representar uma parcela importante da infertilidade feminina. Entre elas, aparecem principalmente distúrbios ovulatórios, como síndrome dos ovários policísticos, e baixa reserva ovariana", explica a médica.

Segundo ela, cada caso exige avaliação individualizada, já que uma baixa reserva ovariana não significa necessariamente infertilidade, mas pode exigir estratégias específicas para aumentar as chances de gravidez.

Quando procurar ajuda especializada?

Especialistas alertam que a busca por avaliação médica não deve ser adiada indefinidamente. A investigação precoce pode identificar fatores tratáveis e evitar perda de tempo reprodutivo, especialmente em mulheres acima dos 35 anos.

Outro aspecto importante é compreender que a fertilidade masculina também sofre influência da idade e de condições clínicas.

"Existe um mito de que apenas a mulher sofre impacto da idade. O homem também apresenta alterações relacionadas à fertilidade ao longo do tempo, incluindo qualidade seminal, fragmentação do DNA espermático e aumento do risco de algumas alterações reprodutivas", explica Bruna Begossi.

Congelamento de óvulos surge como alternativa de planejamento

Nos últimos anos, o congelamento de óvulos passou a ser considerado uma ferramenta importante para mulheres que desejam preservar parte do potencial reprodutivo para o futuro.

Segundo a especialista em reprodução humana Taciana Fontes Rolindo, o procedimento oferece mais autonomia para o planejamento da maternidade.

"O congelamento de óvulos permite que a mulher preserve parte do potencial reprodutivo de uma fase mais jovem da vida. Muitas pacientes procuram o procedimento porque desejam ganhar tempo para decidir sobre maternidade sem a mesma pressão relacionada ao declínio natural da fertilidade", explica.

Ela ressalta, porém, que o procedimento não representa uma garantia de gravidez futura.

"O congelamento aumenta possibilidades, mas não representa promessa de gestação. O sucesso depende de fatores como idade no momento da coleta, reserva ovariana, número de óvulos congelados e condições clínicas futuras. É uma ferramenta de planejamento, não uma certeza", afirma.

Endometriose também pode impactar a fertilidade

Entre as condições frequentemente associadas à dificuldade para engravidar está a endometriose, doença que afeta milhões de mulheres e pode interferir na implantação embrionária.

De acordo com o ginecologista e obstetra Paulo Noronha, a literatura médica reconhece uma associação entre a doença e perdas gestacionais recorrentes.

"O que sabemos é que, de fato, existe uma associação entre endometriose e perda gestacional recorrente. Porque na presença de endometriose o endométrio apresenta uma qualidade ruim para a implantação do embrião", explica.

No entanto, ele alerta que a relação não deve ser interpretada de forma simplista.

"Vale ressaltar que tratar a endometriose não necessariamente reduzirá os casos de perdas gestacionais. Cada paciente precisa de uma avaliação individualizada para entender quais fatores realmente estão interferindo na fertilidade", destaca.

Um tema que afeta milhares de famílias

Ao compartilhar sua experiência, Sheron Menezzes ajuda a ampliar uma conversa ainda cercada por tabus, cobranças sociais e sofrimento silencioso. Especialistas reforçam que a fertilidade não é uma garantia permanente e que dificuldades para engravidar podem envolver fatores femininos, masculinos ou ambos.

Mais do que gerar preocupação, a informação tem o objetivo de promover planejamento, diagnóstico precoce e acesso a tratamentos adequados, permitindo que homens e mulheres tomem decisões mais conscientes sobre seus projetos de maternidade e paternidade.

Revista Malu Revista Malu
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