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Junho Laranja: 5 sinais silenciosos da leucemia e a importância do diagnóstico precoce

Veja quais sintomas merecem atenção e como os avanços na medicina têm permitido diagnósticos e tratamentos mais personalizados

18 jun 2026 - 11h32
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A campanha Junho Laranja tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da anemia e da leucemia. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), as estimativas para o triênio 2026-2028 apontam cerca de 12.220 novos casos de leucemia por ano no Brasil, sendo 6.540 em homens e 5.680 em mulheres.

A leucemia se manifesta de forma silenciosa e afeta os tecidos formadores de sangue, principalmente a medula óssea
A leucemia se manifesta de forma silenciosa e afeta os tecidos formadores de sangue, principalmente a medula óssea
Foto: Jo Panuwat D | Shutterstock / Portal EdiCase

O cenário reforça a urgência de debater a doença, cujos primeiros sinais podem ser facilmente confundidos com um mal-estar cotidiano. Esse cuidado deve ser ainda maior com as crianças. Segundo o INCA, a projeção também para o triênio 2026-2028 é de 7.560 novos casos anuais de câncer infantojuvenil, posição em que a leucemia se mantém como a principal patologia. 

Diferentemente de outros tumores, a leucemia — tipo de câncer que afeta os tecidos formadores de sangue, principalmente a medula óssea — manifesta-se de forma sutil. Abaixo, confira os cinco sinais silenciosos que merecem atenção!

1. Fadiga extrema e palidez inexplicável

A sensação de cansaço constante que não passa após o repouso é um dos sintomas mais comuns. "Como a leucemia prejudica a produção de glóbulos vermelhos saudáveis, o paciente desenvolve anemia. Essa queda na oxigenação do corpo gera uma fadiga crônica, além de palidez na pele e nas mucosas", explica o Dr. Sandro Melim, hematologista do laboratório Exame. 

O médico reforça que, embora haja o mito de que anemia não tratada possa evoluir para leucemia, geralmente isso não ocorre. Contudo, é importante ressaltar que os quadros graves ou mesmo os casos leves que sejam refratários precisam de investigação para descartar disfunções na medula óssea.

2. Infecções frequentes e persistentes

Como as células cancerígenas substituem os glóbulos brancos normais (responsáveis pela defesa do organismo), o sistema imunológico fica severamente debilitado. O paciente passa a apresentar infecções recorrentes, como amigdalites, infecções urinárias ou outras que demoram a passar, frequentemente acompanhadas de febre ou calafrios. 

3. Sangramentos espontâneos e manchas roxas (equimoses)

A queda na produção de plaquetas, responsáveis pela coagulação do sangue, é outro indicativo comum da infiltração da doença na medula óssea. "Isso se manifesta por meio de sangramentos espontâneos na gengiva ao escovar os dentes, sangramento nasal sem causa aparente e o surgimento de pequenas manchas vermelhas na pele (petéquias) ou hematomas roxos mesmo sem traumas ou batidas", aponta o Dr. Jaisson Bortolini, hematologista do laboratório Santa Luzia. 

4. Perda de peso sem motivo aparente e suor noturno

O emagrecimento rápido e sem mudanças na dieta ou na rotina de exercícios é um sinal de alerta para diversos tipos de câncer, incluindo a leucemia. Esse sintoma costuma vir acompanhado de episódios de suor noturno intenso, a ponto de o paciente precisar trocar as roupas de cama durante a noite. 

A leucemia pode provocar inchaços indolores nos gânglios linfáticos
A leucemia pode provocar inchaços indolores nos gânglios linfáticos
Foto: XiXinXing | Shutterstock / Portal EdiCase

5. Dores nas articulações e aumento de gânglios

Segundo o Dr. Israel Bendit, onco-hematologista do Alta Diagnósticos e da Dasa Genômica, o acúmulo de células doentes na medula óssea pode aumentar a pressão interna, provocando dores profundas nos ossos e nas articulações. Além disso, o paciente pode notar inchaços indolores nos gânglios linfáticos (as famosas ínguas) do pescoço, das axilas e da virilha provocados pela concentração de linfócitos anormais.

Exames genéticos ajudam no diagnóstico e na personalização do tratamento

Se, por um lado, os sintomas podem ser silenciosos, as ferramentas modernas de diagnóstico e personalização do tratamento estão cada vez mais precisas. Após a suspeita inicial por meio do hemograma e de exames hematológicos complementares, a medicina genômica desempenha um papel fundamental para determinar o subtipo exato da leucemia, identificar alterações moleculares associadas à doença e auxiliar na definição do prognóstico do paciente. 

Exames moleculares avançados tornaram-se indispensáveis na rotina oncológica. "Hoje, o sequenciamento de nova geração, conhecido como Next-Generation Sequencing (NGS), permite analisar simultaneamente dezenas de genes e identificar mutações e fusões genéticas associadas a diferentes tipos de leucemia. Essas informações são essenciais para a estratificação de risco, definição terapêutica e adoção de uma abordagem cada vez mais personalizada", explica o Dr. Israel Bendit. 

Marcadores genéticos e monitoramento da doença

Além da investigação molecular ampla realizada pelo NGS para leucemias, alguns marcadores específicos também desempenham um papel fundamental no diagnóstico, prognóstico e acompanhamento da doença. É o caso das mutações no gene NPM1, presentes em cerca de 30% dos casos de Leucemia Mieloide Aguda (LMA). Nesses pacientes, a Pesquisa de Mutações no Gene da Nucleofosmina (NPM1) pode ser utilizada tanto na caracterização molecular inicial quanto no monitoramento da doença ao longo do tratamento. 

O exame permite acompanhar a chamada Doença Residual Mensurável (DRM), avaliando a presença de células leucêmicas remanescentes após a terapia e contribuindo para a detecção precoce de recaídas. Além disso, auxilia na estratificação de risco dos pacientes com LMA. De forma geral, indivíduos com cariótipo normal e mutação em NPM1 tendem a apresentar prognóstico favorável ou intermediário, a depender da presença concomitante de mutações do tipo duplicação interna em tandem (ITD) ou da presença da mutação TKD D835 no gene FLT3. 

"A identificação dessa alteração no diagnóstico fornece informações prognósticas relevantes e, posteriormente, seu monitoramento por meio de técnicas de alta sensibilidade permite avaliar a resposta ao tratamento e detectar precocemente sinais de doença residual. A combinação entre exames genômicos abrangentes e marcadores moleculares específicos tem transformado a jornada do paciente, tornando o tratamento mais preciso e individualizado", conclui o Dr. Israel Bendit. 

Por Joyce Castilho

Portal EdiCase
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