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Saúde mental: por que morar perto de áreas verdes nem sempre é suficiente

A relação entre natureza e saúde mental pode ser mais complexa do que parece. Estudo revela fatores que muita gente não considera.

18 jun 2026 - 18h00
(atualizado às 18h02)
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Morar perto de árvores, parques e praças costuma ser visto como uma vantagem para a saúde mental. Mas uma pesquisa da USP indica que essa relação é mais complexa do que parece.

Natureza e saúde mental / SaúdeLab
Natureza e saúde mental / SaúdeLab
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Um dos resultados que mais surpreenderam os pesquisadores foi que moradores da zona rural não apresentaram indicadores de saúde mental melhores do que os de áreas urbanas.

Além disso, o estudo mostrou que a simples presença de áreas verdes não garante, por si só, uma sensação maior de bem-estar.

Fatores como segurança, qualidade do ambiente e até a forma como cada pessoa se relaciona com esses espaços parecem fazer diferença.

Natureza e saúde mental: quando o verde deixa de ser um refúgio

A pesquisa reuniu mais de 5 mil participantes e identificou um obstáculo comum nas cidades brasileiras: a insegurança.

Na prática, não basta haver uma praça ou parque próximo de casa. Se o local é mal cuidado ou desperta sensação de medo, muitas pessoas evitam frequentá-lo.

Os pesquisadores observaram ainda que ambientes com maior diversidade de plantas e características naturais tendem a favorecer uma percepção mais positiva desses espaços.

O resultado reforça a ideia de que não basta criar áreas verdes. Elas também precisam ser seguras, bem cuidadas e convidativas para fazer parte da rotina das pessoas.

Homens e mulheres não vivenciam esses espaços da mesma forma

O estudo mostrou ainda que homens e mulheres não se conectam com a natureza exatamente da mesma forma.

Entre as mulheres, a sensação de conexão esteve mais ligada à frequência do contato com áreas verdes. Já entre os homens, a sensação de conexão pareceu ser mais influenciada pela diversidade dos ambientes naturais disponíveis.

No entanto, um fator apareceu em comum nas respostas. A sensação de segurança foi considerada importante para todos.

Nem sempre o campo leva vantagem

Ao comparar moradores de áreas urbanas e rurais, os pesquisadores não encontraram diferenças significativas nos indicadores avaliados de saúde mental.

Uma das explicações possíveis é que, para muitas pessoas do campo, a vegetação está associada ao trabalho e às atividades diárias, e não necessariamente ao descanso.

Isso ajuda a entender outro resultado curioso do estudo.

Para muitos moradores rurais, o refúgio está na água

Entre os participantes da zona rural, rios, lagos e outros ambientes aquáticos pareceram exercer um papel importante como espaços de descanso e conexão com a natureza.

Segundo os autores, esses locais podem funcionar como uma pausa na rotina e um ambiente de refúgio, diferentemente de parte das áreas verdes que, para muitas pessoas do campo, estão ligadas ao trabalho e às atividades diárias.

Muito além de plantar árvores

Os resultados reforçam que a relação entre natureza e saúde mental envolve mais do que aumentar a quantidade de verde disponível.

Para os pesquisadores, criar espaços seguros, bem cuidados e ecologicamente ricos pode ser tão importante quanto ampliar a arborização.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto de Biociências da USP e teve resultados publicados na revista científica Journal of Environmental Psychology. Os detalhes da pesquisa foram divulgados em reportagem do Jornal da USP.

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Fonte: SaúdeLAB
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