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Reabertura brasileira no auge das infecções é 'política kamikaze' inédita, diz coordenador de estudo

Pesquisa da Ufpel apontou aceleração do novo coronavírus em cidades brasileiras. 'O Brasil corre o risco de ver a montanha aumentar de tamanho', diz Pedro Hallal

12 jun 2020
16h27
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O coordenador do estudo que investiga a prevalência do novo coronavírus em cidades brasileiras, Pedro Curi Hallal, avalia que a reabertura promovida por Estados brasileiros em meio ao crescimento no número de casos e mortes é inédita no mundo e representa uma "política kamikaze". A retomada de medidas de distanciamento pode salvar milhares de vidas, aponta Hallal, que é reitor da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel).

O grupo coordenado por ele divulgou nesta quinta-feira, 11, a segunda fase de uma pesquisa feita em mais de cem cidades brasileiras. Nelas, os pesquisadores entrevistaram e testaram um total de 31 mil pessoas para descobrir quantas delas possuíam anticorpos para o vírus, o que indica que a pessoa já teve a doença. Em duas semanas, o porcentual passou de 1,7% para 2,6%, uma aceleração considerada significativa.

O resultado foi comparado a um estudo similar conduzido na Espanha. "Quando olhamos o estudo espanhol, o aumentou foi muito pequeno, um aumento de 4% e aqui foi de 53% (de 1,7% para 2,6%). Isso para nós é o principal resultado", disse Hallal ao Estadão nesta sexta-feira, 12.

A segunda fase do estudo reafirmou a prevalência de casos na Região Norte. Das 15 cidades com maiores números, 12 estão naquela região. Há também, diz Hallal, crescimentos preocupantes em cidades do Nordeste e no Rio. "E a confirmação que o Centro-Oeste e o Sul estão em outro estágio da pandemia, com muito menos gente infectada", acrescenta. Em São Paulo, a análise é de uma estabilização, já que os números variaram dentro da margem de erro.

O Brasil, aponta o coordenador, opta por dobrar a aposta ao adotar medidas de reabertura. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), já são 12 os Estados com estratégias de relaxamento da quarentena. "Isso que o Brasil está fazendo é inédito, quando está lá em cima na montanha resolver reabrir para ver o que vai acontecer. O Brasil corre o risco de ver a montanha aumentar de tamanho", diz Hallal.

Ele diz que o relaxamento representa colocar na rua pessoas suscetíveis à infecção no momento em que há mais gente infectada, o que ele classifica como "política kamikaze". "Vamos nos trancar em casa por duas semanas, garantir que a curva entre na descendente e aí falar de novo em relaxamento de medidas. Qualquer coisa diferente é irresponsabilidade", aponta. Esse comportamento, assegura, salvaria "milhares e milhares" de vidas de brasileiros.

A pesquisa conduzida pela Ufpel terá uma terceira fase no fim deste mês, de acordo com o que prevê o contrato com o Ministério da Saúde. O coordenador disse que semana que vem irá a Brasília conversar com a pasta e analisar o interesse em seguir monitorando os casos. Hallal acrescenta que já há parceiros privados com interesse em apoiar o trabalho.

Confira os dados das cidades pesquisadas? na segunda fase do estudo da Ufpel

UF Nome do município Entrevistas realizadas Positivos % anticorpos*
PA ALTAMIRA 250 6 2.8%
SE ARACAJU 250 2 Menor que 1%
SP ARAÇATUBA 250 1 Menor que 1%
TO ARAGUAÍNA 200 2 1.1%
AL ARAPIRACA 250 6 2.8%
SP ARARAQUARA 247 0 Menor que 1%
MA BACABAL 250 10 4.7%
MG BARBACENA 250 0 Menor que 1%
MT BARRA DO GARÇAS 250 1 Menor que 1%
BA BARREIRAS 250 0 Menor que 1%
SP BAURU 250 1 Menor que 1%
PA BELÉM 250 36 16.9%
MG BELO HORIZONTE 250 0 Menor que 1%
SC BLUMENAU 239 1 Menor que 1%
RR BOA VISTA 250 54 25.4%
DF BRASÍLIA 250 2 Menor que 1%
PA BREVES 250 26 12.2%
SC CAÇADOR 250 0 Menor que 1%
MT CÁCERES 215 0 Menor que 1%
ES CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM 250 3 1.4%
RN CAICÓ 250 0 Menor que 1%
PB CAMPINA GRANDE 250 14 6.6%
SP CAMPINAS 250 1 Menor que 1%
MS CAMPO GRANDE 203 0 Menor que 1%
PE CARUARU 222 4 2.1%
PR CASCAVEL 250 0 Menor que 1%
PA CASTANHAL 250 23 10.8%
MA CAXIAS 250 1 Menor que 1%
RS CAXIAS DO SUL 250 0 Menor que 1%
SC CHAPECÓ 250 0 Menor que 1%
ES COLATINA 250 2 Menor que 1%
PI CORRENTE 250 0 Menor que 1%
MS CORUMBÁ 250 0 Menor que 1%
CE CRATEÚS 250 2 Menor que 1%
AC CRUZEIRO DO SUL 250 33 15.5%
MT CUIABÁ 250 3 1.4%
MG DIVINÓPOLIS 250 0 Menor que 1%
MS DOURADOS 250 1 Menor que 1%
BA FEIRA DE SANTANA 208 1 Menor que 1%
PI FLORIANO 250 0 Menor que 1%
SC FLORIANÓPOLIS 205 0 Menor que 1%
CE FORTALEZA 226 30 15.6%
GO GOIÂNIA 250 0 Menor que 1%
BA GUANAMBI 250 0 Menor que 1%
PR GUARAPUAVA 250 0 Menor que 1%
TO GURUPI 250 0 Menor que 1%
CE IGUATU 250 2 Menor que 1%
MA IMPERATRIZ 250 35 16.5%
MG IPATINGA 224 0 Menor que 1%
GO IPORÁ 250 0 Menor que 1%
BA IRECÊ 250 0 Menor que 1%
SE ITABAIANA 250 3 1.4%
BA ITABUNA 200 1 Menor que 1%
GO ITUMBIARA 250 0 Menor que 1%
RO JI-PARANÁ 250 2 Menor que 1%
PB JOÃO PESSOA 250 13 6.1%
SC JOINVILLE 250 0 Menor que 1%
BA JUAZEIRO 250 0 Menor que 1%
CE JUAZEIRO DO NORTE 250 3 1.4%
MG JUIZ DE FORA 250 0 Menor que 1%
AM LÁBREA 250 8 3.7%
SC LAGES 215 0 Menor que 1%
GO LUZIÂNIA 250 3 1.4%
RJ MACAÉ

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Estadão
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