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7 problemas causados pela respiração que podem prejudicar o sono

Alterações nas vias aéreas interferem no descanso noturno e explicam noites mal dormidas e cansaço constante

20 fev 2026 - 18h00
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Dormir bem não depende apenas da quantidade de horas na cama. Para que o sono seja realmente restaurador, o corpo precisa atingir fases profundas de relaxamento, o que só acontece quando a respiração flui de forma livre e contínua. Quando existe qualquer tipo de bloqueio ou esforço respiratório, o organismo entra em um estado de alerta involuntário. A pessoa até dorme, mas não descansa.

Alterações nas vias aéreas interferem no sono profundo e na recuperação do organismo
Alterações nas vias aéreas interferem no sono profundo e na recuperação do organismo
Foto: ViDI Studio | Shutterstock / Portal EdiCase

Problemas respiratórios durante o sono costumam ser subestimados porque nem sempre provocam dor ou sintomas evidentes durante o dia. Ainda assim, eles fragmentam o sono, reduzem a oxigenação adequada do organismo e impactam diretamente a disposição, a concentração, o humor e até a saúde a longo prazo.

De acordo com a médica Renata Mori, otorrinolaringologista especialista em doenças nasais, a qualidade da respiração é determinante para um sono reparador. "Durante o sono, o corpo precisa reduzir o ritmo, mas, quando há dificuldade para respirar, o cérebro entende que existe um risco e se mantém em estado de vigilância. Isso impede que a pessoa atinja as fases mais profundas do sono, mesmo sem perceber", explica.

A seguir, confira os principais problemas respiratórios que podem comprometer diretamente a qualidade do sono.

1. Desvio de septo nasal

O desvio de septo não causa apenas nariz entupido. Ele altera a dinâmica da respiração ao longo da noite, criando um fluxo de ar irregular que exige esforço constante do sistema respiratório. Com o corpo deitado, essa assimetria se intensifica, favorecendo congestão de um lado do nariz e sobrecarga do outro, impactando diretamente a estabilidade do sono.

"Quando o septo está desviado, o organismo precisa compensar essa dificuldade respiratória durante toda a noite. O resultado é um sono fragmentado, com microdespertares que impedem o descanso profundo, mesmo que a pessoa não acorde completamente", explica Renata Mori.

2. Rinite alérgica

Mais do que espirros e coriza, a rinite provoca um estado inflamatório contínuo dentro do nariz. Durante a noite, essa inflamação tende a aumentar por fatores hormonais e pela posição deitada, tornando a respiração mais difícil justamente no momento em que o corpo deveria relaxar.

"A rinite faz com que o nariz funcione mal à noite. O paciente passa a respirar com dificuldade, alterna a respiração entre as narinas e acorda várias vezes ao longo do sono, o que compromete a recuperação física e mental", afirma a médica.

3. Sinusite crônica

Na sinusite persistente, o problema não está apenas na obstrução nasal, mas na qualidade do ar que circula pelas vias respiratórias. A presença constante de secreção e inflamação interfere na ventilação adequada dos seios da face, gerando desconforto silencioso durante a noite.

"Mesmo sem dor intensa, a sinusite crônica impede uma respiração plena. O cérebro interpreta essa limitação como um fator de estresse, o que mantém o sono superficial e pouco restaurador", detalha Renata Mori.

Dormir respirando pela boca resseca as vias áreas e causa instabilidade respiratória
Dormir respirando pela boca resseca as vias áreas e causa instabilidade respiratória
Foto: AJR_photo | Shutterstock / Portal EdiCase

4. Respiração pela boca

Dormir respirando pela boca altera completamente a fisiologia do sono. Além de reduzir a eficiência da oxigenação, essa condição favorece o ressecamento das vias aéreas, inflamações recorrentes e maior instabilidade respiratória durante a noite.

"A respiração bucal é sempre um sinal de alerta. Ela indica que o nariz não está cumprindo seu papel e isso faz com que o sono seja mais leve, agitado e menos eficiente do ponto de vista reparador", ressalta a médica.

5. Ronco frequente

O ronco não é apenas um som incômodo. Ele revela vibração excessiva dos tecidos da garganta causada pela passagem dificultada do ar. Essa resistência cria turbulência respiratória e impede que o fluxo de oxigênio seja constante ao longo da noite.

"O ronco frequente mostra que a respiração está sendo feita com esforço. Mesmo quando não há apneia, ele já indica prejuízo na qualidade do sono e aumento do risco de cansaço diurno", alerta Renata Mori.

6. Apneia obstrutiva do sono

Na apneia, a respiração é interrompida repetidamente durante a noite, levando a quedas na oxigenação do sangue. Cada pausa obriga o cérebro a sair do sono profundo para garantir a sobrevivência, quebrando o ciclo natural do descanso.

"O paciente com apneia pode passar a noite inteira dormindo e, ainda assim, acordar exausto. O corpo nunca entra em um estado contínuo de recuperação porque está sempre reagindo às pausas respiratórias", explica a especialista.

7. Aumento das adenoides e das amígdalas

Especialmente em crianças, o aumento dessas estruturas reduz o espaço para a passagem de ar, forçando uma respiração ruidosa e ineficiente durante o sono. Isso interfere diretamente no desenvolvimento físico e cognitivo.

"Quando a criança dorme mal por dificuldade respiratória, isso reflete no comportamento, na atenção e até no crescimento. O sono é fundamental nessa fase, e a respiração inadequada compromete todo esse processo", observa Renata Mori.

Sinais de alerta que não devem ser ignorados

Para a especialista, sintomas como ronco persistente, sono agitado, boca seca ao acordar e cansaço frequente não devem ser considerados normais. "Respirar bem é um dos pilares do sono saudável. Identificar e tratar alterações respiratórias é essencial para recuperar a qualidade do descanso e, consequentemente, de vida", conclui.

Por Sarah Monteiro

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