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Quem usa Ozempic deve ter cuidados especiais caso precise tomar anestesia; saiba quais são

A semaglutida, princípio ativo presente também no Wegovy, retarda o esvaziamento gástrico e pode aumentar o risco de aspiração pulmonar durante procedimentos com anestesia ou sedação

23 abr 2024 - 14h40
(atualizado às 16h13)
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Caneta similar à do Ozempic
Caneta similar à do Ozempic
Foto: CR/iStock

Pacientes que usam medicamentos com a semaglutida (o princípio ativo do Ozempic e Wegovy) devem tomar cuidados redobrados com o jejum antes de um procedimento com anestesia ou sedação. Esses remédios retardam o esvaziamento do estômago e, por isso, podem aumentar o risco de aspiração pulmonar durante o procedimento, reforça um estudo feito na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, e publicado no Jama Surgery.

Inicialmente indicados para o tratamento do diabetes, esses remédios ganharam fama pelo efeito na perda de peso e vêm se tornando cada vez mais populares.

O jejum pré-cirúrgico serve para garantir que o paciente tenha o mínimo volume residual gástrico. Isso porque, sob anestesia ou sedação, a pessoa perde os reflexos de defesa, aumentando o risco de regurgitação desse conteúdo e aspiração, levando a graves danos pulmonares.

No estudo, dos 124 pacientes acompanhados, mais da metade (56%) dos que usavam esses remédios apresentaram resíduos após o jejum-padrão, que costuma ser de oito horas para a dieta geral e de duas horas para os líquidos sem resíduos, como água e chá.

Drogas como a semaglutida e outras como a liraglutida e a dulaglutida simulam o efeito do GLP-1 (Glucagon-Like Peptide-1), um hormônio produzido pelo intestino, e liberado na presença de glicose, que sinaliza ao cérebro que a pessoa está alimentada, diminuindo o apetite e a velocidade do esvaziamento gástrico e aumentando a saciedade. Elas agem diretamente no estômago e no trato gastrointestinal, reduzindo a motilidade, e no pâncreas, estimulando a liberação de insulina e diminuindo a liberação de glucagon, o que auxilia no controle da hiperglicemia.

"Inicialmente o impacto desses medicamentos no esvaziamento gástrico não foi tão valorizado, mas, após episódios em que foram detectados resíduos mesmo muito tempo após a última dose, as sociedades vêm mudando as recomendações", diz o médico anestesiologista Wilson Nogueira Soares Junior, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Pausa no medicamento até para fazer endoscopia

Desde o ano passado, a Sociedade Brasileira de Anestesiologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes recomendam uma pausa no uso desses medicamentos antes de um procedimento cirúrgico de rotina sob anestesia ou sedação, incluindo exames como endoscopia. Assim, quem toma a liraglutida deve suspender o uso dois dias antes, os medicamentos dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida precisam de 15 dias de interrupção, e a semaglutida, 21 dias. A regra não se aplica aos procedimentos obstétricos e de urgências.

"Muitos profissionais que os prescrevem não vêm orientando os pacientes em relação às novas diretrizes de segurança relacionadas ao jejum para cirurgias eletivas, o que aumenta o risco e impacta a dinâmica do atendimento hospitalar, com atrasos e a eventual suspensão dos procedimentos", observa Soares Junior. Por isso é essencial que o paciente sempre reporte o uso da medicação à equipe médica.

Caso ele se interne sem respeitar o tempo de suspensão do remédio, é possível fazer um ultrassom para avaliar o volume dos resíduos de conteúdo gástrico. Dependendo do resultado, pode-se optar por suspender ou permitir a intervenção.

Cirurgias de emergência dispensam as recomendações de jejum. Nesses casos, são usadas outras técnicas, como a anestesia peridural ou a raquianestesia, anestesia geral com intubação de sequência rápida ou anestesia tópica com o paciente acordado, realizando pré-oxigenação e deixando sempre o aspirador preparado para alguma emergência. "Com essas medidas, conseguimos minimizar o risco de uma possível regurgitação e aspiração do conteúdo gástrico nos casos em que não se pode postergar o procedimento", explica o especialista.

Estadão
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