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Você já ouviu falar no BRCA2? Entenda o gene ligado ao câncer hereditário

O gene BRCA2 é conhecido principalmente pela ligação com o câncer de mama e de ovário, mas seu papel vai muito além desses tumores. Saiba mais!

10 jan 2026 - 16h00
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O gene BRCA2 é conhecido principalmente pela ligação com o câncer de mama e de ovário, mas seu papel vai muito além desses tumores. Afinal, trata-se de um gene que atua diretamente na proteção do DNA das células, ajudando a corrigir danos que surgem naturalmente ao longo da vida. Assim, quando esse gene apresenta alterações importantes, que recebem o nome de mutações patogênicas, o risco de desenvolver alguns tipos de câncer aumenta de forma significativa.

Ao longo dos últimos anos, o BRCA2 passou a fazer parte das conversas entre médicos, pacientes e famílias que convivem com histórico de câncer. Esse interesse cresceu porque os exames genéticos ficaram mais acessíveis. Além disso, se sabe, hoje, que identificar uma alteração em BRCA2 pode mudar a forma de acompanhar a saúde de uma pessoa, permitindo estratégias de prevenção e de diagnóstico precoce.

Ao longo dos últimos anos, o BRCA2 passou a fazer parte das conversas entre médicos, pacientes e famílias que convivem com histórico de câncer – depositphotos.com / catinsyrup
Ao longo dos últimos anos, o BRCA2 passou a fazer parte das conversas entre médicos, pacientes e famílias que convivem com histórico de câncer – depositphotos.com / catinsyrup
Foto: Giro 10

O que é o gene BRCA2 e qual a sua função no organismo?

O gene BRCA2 é um dos principais responsáveis por produzir uma proteína que participa da reparação do DNA. Durante a divisão celular, podem ocorrer quebras ou falhas no material genético. Assim, a proteína codificada pelo BRCA2 atua identificando e corrigindo esses erros por meio de mecanismos específicos de reparo. Esse processo ajuda a manter a estabilidade do genoma e a reduzir a chance de surgirem células descontroladas, que podem dar origem a tumores.

De forma simplificada, o BRCA2 atua como um gene de supressão tumoral. Isso significa que, em condições normais, ele contribui para impedir o desenvolvimento de câncer. Porém, quando há uma mutação prejudicial nesse gene, essa função de proteção fica comprometida. Com o tempo, a célula passa a acumular mais danos no DNA, o que aumenta a probabilidade de ocorrerem alterações adicionais que favorecem o surgimento de câncer de mama, ovário, próstata, pâncreas e outros.

É importante destacar que nem toda alteração no BRCA2 apresenta perigo. Afinal, alguns indivíduos apresentam variações consideradas benignas ou de significado incerto, que não aumentam claramente o risco de câncer. Assim, a interpretação dessas alterações exige análise feita por laboratórios especializados e avaliação de um profissional habilitado em genética.

Como o BRCA2 se associa ao risco de câncer?

As mutações hereditárias no gene BRCA2 se associam a um risco mais elevado de determinados tumores em comparação com a população geral. Assim, pessoas que nascem com uma mutação patogênica em BRCA2 têm maior probabilidade de desenvolver câncer de mama ao longo da vida, inclusive o câncer de mama masculino, que é menos frequente. Ademais, o risco de câncer de ovário também aumenta, assim como o de câncer de próstata, pâncreas e, em menor grau, outros tipos de câncer.

No entanto, esse risco não é igual para todas as pessoas portadoras de mutação. Fatores como estilo de vida, outros genes envolvidos, exposição a hormônios e acompanhamento médico influenciam o desfecho. Em termos gerais, o BRCA2 não "garante" que o câncer acontecerá, mas indica uma probabilidade maior, o que justifica uma atenção diferenciada. Portanto, essa característica faz com que o BRCA2 seja classificado como um gene de alta penetrância em oncogenética.

Em famílias com histórico marcante de tumores em idades mais jovens, a investigação de alterações em BRCA2 e em outros genes de suscetibilidade ao câncer se torna uma ferramenta relevante. Nesses contextos, a identificação de uma mutação pode ajudar a explicar o padrão familiar de doenças e orientar quais parentes têm indicação de realizar o teste genético.

Por que o gene BRCA2 é importante na prevenção do câncer?

A palavra-chave "gene BRCA2" está cada vez mais associa-se à ideia de prevenção do câncer porque o conhecimento sobre esse gene permite estratégias antecipadas de cuidado. Dessa forma, quando uma pessoa descobre que é portadora de uma mutação patogênica em BRCA2, a equipe de saúde pode montar um plano de acompanhamento personalizado, que inclui rastreamento mais intenso, exames iniciados em idades mais precoces e, em alguns casos, medidas cirúrgicas para redução de risco.

Entre as estratégias utilizadas para pessoas com predisposição hereditária ao câncer associada ao BRCA2, destacam-se:

  • Rastreamento intensificado de mama: exames de imagem, como mamografia e ressonância magnética, iniciados antes da idade usual recomendada para a população geral.
  • Acompanhamento ginecológico especializado: avaliação periódica voltada à identificação precoce de alterações em ovários e trompas.
  • Vigilância de próstata e pâncreas em homens e mulheres com mutação BRCA2, conforme protocolos e histórico familiar.
  • Aconselhamento genético para discutir impactos do resultado, opções de manejo e possíveis implicações para parentes consanguíneos.

Em alguns casos, são discutidas cirurgias de redução de risco, como a retirada preventiva das mamas ou dos ovários e trompas, sempre após avaliação detalhada de riscos e benefícios. Essas decisões são individualizadas e levam em conta idade, desejo reprodutivo, presença de outros fatores de risco e preferências da pessoa.

As mutações hereditárias no gene BRCA2 se associam a um risco mais elevado de determinados tumores em comparação com a população geral – depositphotos.com / SyhinStas
As mutações hereditárias no gene BRCA2 se associam a um risco mais elevado de determinados tumores em comparação com a população geral – depositphotos.com / SyhinStas
Foto: Giro 10

Quando é indicado fazer o teste genético para BRCA2?

O teste para identificar mutações no BRCA2 é indicado, em geral, quando há sinais de que o câncer na família pode ter componente hereditário mais forte. Alguns critérios frequentemente utilizados incluem:

  • Vários casos de câncer de mama ou ovário na mesma família, em diferentes gerações.
  • Diagnóstico de câncer de mama em idade mais jovem do que o habitual.
  • Câncer de mama masculino em qualquer idade.
  • Associação de câncer de mama, ovário, próstata ou pâncreas em parentes próximos.
  • Indivíduos com origem étnica em grupos com maior frequência de mutações específicas (como algumas populações com mutações fundadoras conhecidas).

O processo costuma envolver aconselhamento genético antes e depois do exame. No primeiro momento, são explicados objetivos, limitações, possíveis resultados e impactos emocionais e familiares da testagem. Após o resultado, o profissional discute o significado da mutação, o risco estimado de câncer e as recomendações de rastreamento e prevenção mais adequadas.

Quais cuidados são importantes para quem tem mutação em BRCA2?

Para quem recebe o diagnóstico de mutação no gene BRCA2, o acompanhamento regular é um ponto central. Além dos protocolos específicos de rastreamento, alguns cuidados gerais costumam ser orientados por equipes multidisciplinares de oncologia e genética:

  1. Manter consultas periódicas com profissionais especializados, para atualizar condutas com base nas evidências científicas mais recentes.
  2. Registrar o histórico familiar de forma detalhada, atualizando informações sobre novos casos de câncer em parentes.
  3. Discutir opções reprodutivas, quando relevante, incluindo possibilidades de reprodução assistida com testagem embrionária em contextos específicos.
  4. Informar familiares em risco sobre a existência da mutação, permitindo que cada um avalie se deseja realizar o teste.

Mesmo sem mutação em BRCA2, a presença de casos de câncer na família merece atenção. Em todos os cenários, hábitos saudáveis, vacinação adequada, controle de outras doenças e acompanhamento médico regular continuam sendo pilares importantes para reduzir riscos e favorecer o diagnóstico em estágios mais iniciais.

Giro 10
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