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Quantos quilos se ganha após parar com canetas emagrecedoras? Pesquisa revela

Pesquisa publicada no British Medical Journal indica que usuários de medicamentos como Ozempic e Mounjaro podem recuperar o peso perdido

30 jan 2026 - 14h24
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Pausa no uso de canetas emagrecedoras podem causar ganho de peso em prazo curto, diz estudo
Pausa no uso de canetas emagrecedoras podem causar ganho de peso em prazo curto, diz estudo
Foto: Freepik

Medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, ganharam destaque nos últimos anos pelos resultados rápidos na perda de peso. Um novo estudo publicado no British Medical Journal (BMJ) faz um alerta importante sobre a interrupção do tratamento, que costuma levar à recuperação do peso em um período relativamente curto.

A pesquisa aponta que, após o fim do uso desses medicamentos, a média de ganho de peso é de cerca de 0,4 quilo por mês. Nesse ritmo, tanto o peso corporal quanto indicadores associados a doenças como diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares podem retornar aos níveis anteriores ao tratamento em menos de dois anos.

A pesquisa analisou dados relacionados à suspensão de medicamentos indicados para o controle da obesidade, com foco nos agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui substâncias como semaglutida e tirzepatida. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que, apesar da eficácia inicial, essas drogas, por si só, não garantem a manutenção do emagrecimento a longo prazo.

Um dos achados que mais chamam atenção é a velocidade da recuperação de peso. De acordo com a análise, pessoas que interrompem o uso dos medicamentos tendem a recuperar o peso quase quatro vezes mais rápido do que aquelas que emagreceram por meio de mudanças no estilo de vida, como reeducação alimentar e prática regular de exercícios físicos.

Além do aumento na balança, os benefícios metabólicos obtidos durante o tratamento também tendem a ser temporários. Os pesquisadores observaram que marcadores relacionados ao risco de diabetes e doenças cardíacas podem voltar aos patamares anteriores em menos de dois anos. Já indicadores cardiometabólicos, como colesterol e pressão arterial, podem retornar aos valores basais em cerca de 1,4 ano após a suspensão da medicação.

O levantamento também chama atenção para a alta taxa de abandono do tratamento. Estimativas indicam que aproximadamente metade dos pacientes com obesidade deixa de usar medicamentos à base de GLP-1 em até 12 meses, seja por efeitos colaterais, custo elevado ou outros fatores.

Diante desse cenário, os autores reforçam a necessidade de cautela no uso dessas drogas como estratégia de curto prazo. O estudo destaca a importância de ampliar pesquisas sobre abordagens sustentáveis e custo-efetivas para o controle do peso a longo prazo, além de reforçar o papel da prevenção.

A pesquisadora Qi Sun, da Escola Médica de Harvard, afirma que os medicamentos não devem ser encarados como solução definitiva para a obesidade. Segundo ela, os resultados colocam em dúvida a ideia de que os agonistas do receptor GLP-1 representem uma cura, reforçando que mudanças duradouras no estilo de vida continuam sendo fundamentais no tratamento.

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