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O que um paciente precisa levar em conta antes de escolher um médico?

Resultados de prova do Enamed reacendem debate sobre a qualidade do ensino médico e seus impactos na confiança e no cuidado ao paciente

30 jan 2026 - 13h12
(atualizado às 13h36)
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No último dia 19 de janeiro, a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) trouxe à tona o debate sobre a qualidade do ensino de Medicina no Brasil e seus reflexos diretos no cuidado ao paciente. Apenas 49 faculdades atingiram a nota máxima, enquanto 99 ficaram entre conceitos 1 e 2, o que reforça as disparidades na qualidade do ensino.

O Enamed avaliou 89.024 participantes, entre estudantes concluintes (39.256) e médicos formados (49.768). Segundo levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apenas 67% dos alunos que estavam concluindo o curso alcançaram desempenho considerado proficiente. Esse índice é bem menor que o de profissionais já formados, com 75% dos candidatos alcançando o mínimo indicado pelo Ministério da Educação (MEC). Agora, a pasta deve implementar sanções contra os cursos com notas insuficientes, que passarão por auditorias e terão restrições, como redução de novas vagas para vestibulares.

Como escolher seu médico

Em um cenário de formação médica desigual e excesso de informações nas redes sociais, o paciente deve adotar critérios objetivos na hora de escolher um médico. O primeiro passo é verificar se o profissional possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM) e se tem título de especialista reconhecido, o que pode ser confirmado por meio do Registro de Qualificação de Especialista (RQE), disponível no site do Conselho Federal de Medicina.

Outro ponto importante é avaliar o vínculo do médico com instituições de saúde reconhecidas, como hospitais, clínicas ou serviços públicos estruturados, que costumam adotar critérios mais rigorosos de credenciamento e atualização profissional. A experiência em residência médica e a atuação em equipes multiprofissionais também são indicativos relevantes de formação prática e continuidade do cuidado.

Além da formação técnica, a qualidade da consulta deve ser observada. Um médico confiável é aquele que escuta, explica o diagnóstico e as opções de tratamento, responde às dúvidas com clareza e considera o histórico clínico do paciente nas decisões. Relações construídas ao longo do tempo, especialmente com clínicos, médicos de família ou especialistas de referência, tendem a favorecer a coordenação do cuidado e reduzir riscos de condutas fragmentadas.

Não escolha pelos likes

A busca por um profissional de saúde tampouco deve se pautar pelo número de seguidores ou curtidas nas redes sociais. "A forma de procurar atendimento médico mudou muito nos últimos anos e talvez essa seja uma oportunidade de repensar como estabelecemos a relação médico-paciente", reflete Elda Pires. "Temos visto cada vez mais o espaço das redes sociais ser ocupado por informações erradas e incompletas e profissionais sendo valorizados pelo seu número de seguidores."

Em meio aos conteúdos gerados por inteligência artificial e promovidos na web de forma tendenciosa, a população deve ficar ainda mais atenta. "É preciso desviar dessas informações deturpadas e buscar médicos a partir de registros de confiança, como o RQE", aconselha a docente. "Foque em profissionais com reconhecida competência profissional ou recomendados por médicos que já te atendem."

Além disso, o segredo da confiança entre médico e paciente está em estabelecer uma relação de longo prazo com um profissional que ajude a encontrar o cuidado mais adequado e individualizado. "A relação de confiança se estabelece no olho no olho. Uma vez que você tem um médico que te conhece, que é vinculado a uma instituição em que você confia, é muito mais fácil receber dele as indicações de novos especialistas, quando necessários, que vão poder conduzir esse cuidado de forma adequada", avalia a especialista.

Estadão
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