Quando chamar o SAMU na convulsão? 5 sinais de urgência
Regra dos 5 minutos é decisiva para evitar danos cerebrais; saiba identificar quando a crise deixa de ser comum e vira risco de morte
Recentemente, o Brasil acompanhou a tensão no Big Brother Brasil 26, quando o ator Henri Castelli precisou de atendimento médico após uma crise durante uma prova de resistência. O episódio levanta uma dúvida comum: quando chamar o SAMU na convulsão e quando apenas aguardar a crise passar?
Embora assustadora, a maioria das crises convulsivas é autolimitada, ou seja, o cérebro "desliga" o curto-circuito sozinho em alguns minutos. No entanto, existem sinais de que a situação fugiu do controle e evoluiu para um risco de vida ou de dano neurológico irreversível.
Quando chamar o SAMU parra casos de convulsão
Segundo o neurocirurgião Raphael Bertani, o tempo é o fator mais crítico. De acordo com o médico, há uma regra essencial que separa um evento comum de uma emergência médica grave. Entender esses sinais pode ser a diferença entre uma recuperação completa e sequelas para a vida toda.
1. Regra dos 5 Minutos
Este é o parâmetro mais importante. Uma convulsão "comum" dura entre segundos e, no máximo, dois ou três minutos.
Se a crise ativa (o momento em que a pessoa está se debatendo ou rígida) ultrapassar 5 minutos, chame o SAMU imediatamente. Segundo Bertani, "5 minutos é o limite". Após esse tempo, o cérebro entra em um estado chamado Estado de Mal Epiléptico.
Nesse estado, o risco de lesão neuronal aumenta exponencialmente a cada minuto extra. Isso porque, o corpo começa a sofrer com a falta de oxigenação e a quebra muscular pode ser tão intensa a ponto de liberar toxinas que paralisam os rins. Nesse estágio, a crise raramente para sozinha; é necessária medicação na veia.
2. Crises repetidas sem recuperar a consciência
Às vezes, a pessoa para de se debater, parece relaxar, mas minutos depois volta a convulsionar, sem ter acordado ou falado nesse intervalo.
Isso indica que o cérebro não está conseguindo se recuperar. Nesse caso, o estresse metabólico é acumulativo e o coração e o pulmão da vítima sofrem uma sobrecarga imensa. Podendo levar a uma parada cardiorrespiratória por exaustão.
3. Dificuldade respiratória ou mudança de cor
Durante a crise, é normal que a respiração fique ruidosa ou pausada por alguns segundos. Porém, isso deve se normalizar rapidamente. Se a pessoa ficar com os lábios ou o rosto azulados (cianose), ou se tiver dificuldade extrema para respirar após o fim dos espasmos, é um sinal de alerta.
A falta de oxigênio (hipóxia) é uma das principais causas de sequelas neurológicas pós-convulsão. Se as vias aéreas estiverem bloqueadas por vômito, sangue ou saliva excessiva, a intervenção médica precisa ser imediata para desobstruir e ofertar oxigênio.
4. Trauma grave na cabeça durante a queda
Muitas convulsões começam com a pessoa em pé e resultam em quedas bruscas sem nenhuma proteção reflexa (a pessoa cai "dura"). Portanto, o socorro deve ser acionado com urgência se houve uma batida muito forte na cabeça, sangramento intenso ou suspeita de fratura no pescoço/coluna.
A convulsão pode ser consequência de um trauma ou causadora dele. Uma pancada forte pode gerar hemorragia intracraniana (sangramento dentro do cérebro). Nesses casos, a vítima precisa de tomografia e avaliação neurocirúrgica urgente, independentemente da convulsão ter parado ou não.
5. Condições especiais (Gestantes e Diabéticos)
O histórico de saúde da vítima muda totalmente a gravidade da crise. Logo, se a pessoa for gestante, diabética, tiver febre alta ou sinais de intoxicação exógena (veneno/drogas), o SAMU deve ser chamado imediatamente.
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Gestantes: pode se tratar de eclampsia, uma condição gravíssima que coloca em risco a vida da mãe e do bebê.
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Diabéticos: a convulsão pode ser causada por hipoglicemia severa (falta de açúcar no sangue). Se a glicose não for reposta na veia rapidamente, o coma pode ser irreversível.
Sequelas da demora no socorro
A pressa no atendimento não é exagero. Raphael Bertani reforça que a demora em conter uma crise prolongada está diretamente ligada ao surgimento de sequelas.
"As mais comuns são problemas de memória e dificuldade de concentração. A pessoa pode ter dificuldade para aprender coisas novas", explica o neurocirugião. Casos nos quais a oxigenação faltou por muito tempo, pode haver alterações motoras (fraqueza em partes do corpo) ou cognitivas permanentes.
Além disso, em convulsões muito longas, pode ocorrer a destruição das fibras musculares (rabdomiólise). Isso sobrecarrega os rins e pode levar à necessidade de hemodiálise.
Por fim, ao ver alguém convulsionar, proteja a cabeça e marque o tempo. Se o relógio marcar 5 minutos ou se a pessoa se encaixar em qualquer um dos grupos acima, não hesite: disque 192. O socorro rápido é a única forma de garantir que o susto não deixe marcas permanentes.