Preenchimentos faciais: por que durabilidade nem sempre é a mesma
Avaliação estrutural do rosto, qualidade da pele e hábitos diários influenciam quanto tempo o ácido hialurônico dura
Os preenchimentos faciais com ácido hialurônico seguem em crescimento no Brasil e no mundo.
Ainda assim, muitos pacientes relatam que o volume some antes do prazo estimado.
Especialistas explicam que a durabilidade do procedimento não depende apenas da marca do produto, mas de uma combinação de fatores anatômicos, biológicos e comportamentais.
Segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), os procedimentos minimamente invasivos continuam em expansão.
O aumento da procura também trouxe uma discussão importante: por que o resultado dura mais em algumas pessoas do que em outras?
Durabilidade não depende só do produto
Para a biomédica esteta Angélica Lucena, professora e fundadora da Gioventù Clínica Boutique, o principal erro está em reduzir o preenchimento à escolha do ácido hialurônico. Segundo ela, a avaliação precisa ir além.
"A durabilidade não depende apenas do produto. Depende da estrutura facial, da saúde da pele e da rotina do paciente", explica.
Na metodologia aplicada por ela, são analisadas camadas como derme, epiderme, gordura, musculatura e projeção óssea antes de qualquer aplicação.
Anatomia facial influencia a reabsorção
Estudos publicados no Journal of Cosmetic Dermatology indicam que fatores anatômicos interferem diretamente na velocidade de degradação do ácido hialurônico.
Regiões com maior mobilidade muscular ou vascularização intensa tendem a metabolizar o produto mais rapidamente.
Isso explica por que áreas como lábios e região perioral costumam perder volume antes de pontos mais estáveis do rosto. Inflamações crônicas também aceleram esse processo.
Quando falta suporte, o resultado dura menos
Na prática clínica, resultados menos duradouros costumam aparecer quando o preenchimento tenta compensar sozinho problemas estruturais.
Perdas ósseas, flacidez e falta de sustentação comprometem a longevidade do volume.
"Quando não há base adequada, o produto trabalha em excesso. Nesses casos, a reabsorção tende a ser mais rápida", explica Angélica.
Por isso, a correção estrutural é vista como parte essencial do planejamento.
Hábitos do paciente também contam
O estilo de vida após o procedimento influencia diretamente o resultado.
Há evidências de que alguns hábitos aceleram o metabolismo tecidual e reduzem a durabilidade do ácido hialurônico.
Entre os principais fatores estão:
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Exposição solar excessiva.
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Tabagismo.
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Poucas horas de sono.
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Atividades físicas de alta intensidade.
"Não existe preenchimento imune à rotina. Os hábitos têm impacto direto sobre o resultado", alerta a biomédica.
Tipo de ácido hialurônico faz diferença
A escolha do produto também importa, mas como consequência da avaliação inicial.
Ácidos hialurônicos com maior densidade e grau de reticulação costumam resistir mais à degradação, desde que sejam indicados corretamente.
O erro mais comum, segundo a especialista, é padronizar tratamentos. "Produto certo, no lugar errado, também falha", resume.
Mercado mais maduro e resultados mais naturais
Para Angélica Lucena, o avanço da estética passa por abandonar protocolos automáticos.
A tendência é tratar o preenchimento como um trabalho de engenharia facial, baseado em leitura estrutural e planejamento individual.
"Quando a avaliação é completa, o resultado não apenas dura mais como envelhece melhor", conclui.
Em um mercado cada vez mais informado, a durabilidade deixa de ser promessa de marca e passa a refletir técnica, análise e cuidado com o paciente.