Memória afiada aos poucos: os benefícios do Ginkgo biloba
Utilizado há séculos na medicina tradicional asiática, o Ginkgo biloba ganhou espaço no ocidente. Conheça as suas propriedades e potenciais benefícios à saúde.
Utilizado há séculos na medicina tradicional asiática, o Ginkgo biloba ganhou espaço no ocidente. Em especial, por sua relação com a memória e a circulação. Trata-se de uma árvore de origem chinesa, uma das espécies mais antigas do planeta, da qual se aproveitam principalmente as folhas para produção de extratos padronizados, cápsulas, comprimidos e chás.
Nos últimos anos, o interesse científico pelo Ginkgo biloba aumentou. Assim, diversos estudos avaliam seus potenciais efeitos no cérebro, no sistema cardiovascular e até na proteção das células contra danos oxidativos. Apesar disso, os resultados nem sempre são unânimes. Isso faz com que o uso dessa planta seja visto como um recurso complementar, e não como substituto de tratamentos médicos estabelecidos.
Quais são as principais propriedades do Ginkgo biloba?
A palavra-chave central associada ao Ginkgo biloba é melhora da circulação sanguínea. Afinal, os componentes presentes em suas folhas, como flavonoides e terpenoides, relacionam-se à ação vasodilatadora e à redução da agregação plaquetária. Isso favorece o fluxo de sangue em artérias e veias, especialmente em regiões periféricas e no cérebro. Essa característica está entre as razões pelas quais o extrato padronizado da planta é objeto de estudos em quadros de déficit cognitivo leve em adultos e idosos.
Outra propriedade que frequentemente se associa ao Ginkgo biloba é sua atuação como antioxidante. Afinal, as substâncias bioativas ajudam a neutralizar radicais livres, moléculas instáveis que podem causar dano às células. Portanto, esse efeito antioxidante aparece como um dos mecanismos possíveis para a proteção de neurônios e para a preservação de tecidos sensíveis, como os vasos sanguíneos e a retina.
Ginkgo biloba para memória e concentração
Um dos usos mais conhecidos do Ginkgo biloba é na tentativa de apoiar a memória, a concentração e outras funções cognitivas. Nesse campo, pesquisas indicam que o aumento da circulação cerebral pode favorecer o aporte de oxigênio e nutrientes aos neurônios. Em teoria, isso ajudaria no desempenho mental em determinadas situações, especialmente em pessoas com queixas de esquecimento leve ou com comprometimento cognitivo relacionado à idade.
Estudos clínicos apresentam resultados variados. Assim, alguns apontam que o extrato padronizado de Ginkgo biloba pode auxiliar em sintomas como dificuldade de atenção, lentidão de pensamento e desorientação leve, enquanto outros não mostram diferenças significativas em comparação ao placebo. Apesar da divergência, a planta continua a ser objeto de investigações, inclusive em condições como demência leve e zumbido associado a alterações vasculares.
- Memória de curto prazo: pode haver benefício em pessoas com declínio leve relacionado ao envelhecimento.
- Atenção e foco: alguns estudos sugerem melhora discreta em tarefas que exigem concentração contínua.
- Velocidade de processamento: o uso regular do extrato é avaliado por seu possível impacto no tempo de resposta em testes cognitivos.
Outras propriedades e usos associados ao Ginkgo biloba
Além da relação com o sistema nervoso central, o Ginkgo biloba é frequentemente mencionado em contextos ligados à saúde vascular. Ao favorecer o fluxo sanguíneo, utiliza-se o extrato em protocolos complementares para sintomas de má circulação periférica, como sensação de frio em mãos e pés e cãibras em panturrilhas durante a caminhada, sempre sob orientação profissional.
Outra área em que o Ginkgo biloba é estudado envolve queixas auditivas e visuais. Assim, a hipótese é que a melhora da irrigação sanguínea na região da orelha interna e da retina possa contribuir em quadros específicos. Em alguns estudos, investiga-se o potencial do extrato como coadjuvante em casos de zumbido de origem vascular e em dano isquêmico ocular.
- Circulação periférica: possível redução de sintomas em doenças vasculares leves.
- Saúde ocular: pesquisas avaliam impacto sobre circulação na retina e no nervo óptico.
- Zumbido (tinnitus): analisado como opção complementar em casos selecionados.
Como o Ginkgo biloba age no organismo?
Os extratos de Ginkgo biloba concentram principalmente dois grupos de substâncias: flavonoides e terpenoides (como ginkgolídeos e bilobalídeos). Esses compostos participam de diferentes mecanismos no corpo. Entre eles, destacam-se o aumento da liberação de óxido nítrico, que contribui para o relaxamento dos vasos sanguíneos, e a redução da agregação de plaquetas, o que influencia a fluidez do sangue.
No sistema nervoso, o Ginkgo biloba é estudado por seu possível efeito na modulação de neurotransmissores e na proteção das membranas celulares contra dano oxidativo. Essa combinação de ações — vascular, antioxidante e neuromoduladora — ajuda a explicar por que a planta é tão associada a termos como memória, função cognitiva e circulação cerebral.
- Melhora do fluxo sanguíneo em artérias e capilares.
- Ação antioxidante contra radicais livres.
- Interferência em substâncias envolvidas na coagulação.
- Possível modulação de neurotransmissores cerebrais.
Cuidados, efeitos adversos e uso responsável
Apesar das propriedades atribuídas ao Ginkgo biloba, o uso da planta não é isento de cuidados. Por interferir na agregação plaquetária, o extrato pode aumentar o risco de sangramentos em algumas situações, especialmente quando associado a anticoagulantes, antiagregantes plaquetários ou anti-inflamatórios específicos. Há relatos também de efeitos como dor de cabeça, desconforto gastrointestinal e reações alérgicas em indivíduos sensíveis.
Grávidas, lactantes, pessoas com histórico de convulsões ou com problemas de coagulação devem ter atenção redobrada antes de consumir produtos à base de Ginkgo biloba. A orientação com profissional de saúde é fundamental para avaliar indicação, dosagem, forma de uso (chá, cápsulas, comprimidos, extrato padronizado) e possíveis interações com medicamentos em uso contínuo.
De maneira geral, o Ginkgo biloba se consolidou como uma das plantas medicinais mais pesquisadas quando o assunto é memória e circulação. Seu potencial terapêutico segue em investigação, com estudos em andamento até 2025 para esclarecer melhor em quais situações oferece benefício concreto e quais grupos de pessoas podem se favorecer de forma mais segura com esse recurso fitoterápico.