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Parou de fumar e está com mais fome? Entenda o motivo

Estudo explica a razão da tendência de uma dieta à base de açúcar, sal e gordura entre ex-fumantes

16 nov 2021 - 15h03
(atualizado em 19/11/2021 às 17h08)
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Estudo explica relação entre ex-fumantes e o consumo de comidas calóricas
Estudo explica relação entre ex-fumantes e o consumo de comidas calóricas
Foto: Shutterstock / Saúde em Dia

Por trás da fumaça característica do cigarro, há uma série de doenças que podem ser causadas pelo uso desenfreado da nicotina. Problemas respiratórios e cardiovasculares, além do AVC (Acidente Vascular Cerebral) estão entre as doenças que mais atingem a vida de quem faz uso do cigarro de maneira desenfreada.

Dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), apontam que o tabagismo é responsável por matar aproximadamente oito milhões de pessoas por ano no mundo. Ocorre que mesmo diante de um cenário de mortes e doenças, ainda há milhares de pessoas que fazem uso do cigarro ou que sentem dificuldade de largar o vício. 

Um dos maiores medos de quem pretende parar de fumar é em relação aos hábitos alimentares. Há relatos de pessoas que viram o peso da balança subir ao largarem o cigarro. Isso ocorre porque, na maioria das vezes, o fumante deixa o vício e passa a depositar a abstinência em outra situação isolada, como é o caso da comida.

Um estudo publicado no final de setembro no Journal of Drug and Alcohol Dependence procurou explicar a relação entre pessoas que deixaram o vício do cigarro e o aumento no consumo de comidas gordurosas. 

"As descobertas apontam para o sistema opióide, as funções cerebrais responsáveis pela compulsão alimentar e regulação do apetite, como uma possível causa para a preferência do fumante por alimentos altamente calóricos e com alta densidade energética durante a abstinência da nicotina. Isso pode levar ao ganho de peso, para quem deixa o vício, o que, por sua vez, pode aumentar o risco de recaída", afirma a médica nutróloga, Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

Ao juntar um grupo de participantes fumantes e não fumantes com idades entre 18 e 75 anos, durante duas sessões de laboratório, o estudo constatou que fumantes submetidos à abstinência de nicotina consumiram mais calorias do que os não fumantes. 

Segundo a Dra. Garcez, o estresse causado pela dependência do cigarro pode estar ligado ao consumo desses alimentos.  ''As descobertas do estudo podem estar relacionadas ao uso de alimentos, especialmente aqueles ricos em calorias, para lidar com o afeto negativo e a angústia que caracterizam os sentimentos que as pessoas experimentam durante a abstinência de fumar. Resultados de pesquisas pré-clínicas e clínicas apoiam isso e demonstram que o estresse aumenta a propensão para alimentos ricos em gordura e açúcar", explica.

Dessa forma, é cada vez mais importante que o processo de cessação ao tabagismo seja feito com um acompanhamento médico especializado. O indivíduo deverá encontrar formas de lidar com a abstinencia por meio de outras atividades que agreguem bem-estar.

''O mais importante é buscar auxílio e acompanhamento nutrológico quando decidir parar de fumar. Com isso, é possível estabelecer uma estratégia que inclua a prática de exercícios físicos e um plano alimentar adequado para o contexto do paciente, além da administração de suplementos, fitoterápicos e, se for o caso, medicamentos para evitar o ganho de peso e o retorno à dependência do cigarro", finaliza a médica nutróloga.

Atividade física é uma importante aliada

A saída mais inteligente para evitar o ganho de peso no tratamento contra o tabagismo é, justamente, a inclusão de exercícios físicos na rotina. O exercício libera endorfinas que são capazes de combater a ansiedade e o mau humor associados à abstinência. 

"A atividade física é muito bem-vinda para evitar ganho de peso e para regular os hormônios de estresse e ansiedade. Ela é um complemento necessário e fundamental. A indicação é que os pacientes iniciem na atividade que acharem melhor, seja dançar, caminhar ou andar de bicicleta", conta a cardiologista Jaqueline Scholz.

Saúde em Dia
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