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Padma Lakshmi dá voz à endometriose, e especialista reforça papel da alimentação no controle da inflamação

Nutricionista Fernanda Mululo comenta que estilo de vida e alimentação estão diretamente ligados à prevenção e ao tratamento de doença

24 set 2025 - 04h46
(atualizado às 04h49)
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Diagnosticada com endometriose aos 36 anos após conviver com sintomas desde a adolescência, a apresentadora, escritora e ativista Padma Lakshmi tornou-se uma das principais vozes mundiais na conscientização sobre a doença. Fundadora da Endometriosis Foundation of America, ela fala abertamente sobre dores incapacitantes, impacto na fertilidade e prejuízos à qualidade de vida desse problema que atinge milhões de mulheres em todo o mundo.

Padma Lakshmi
Padma Lakshmi
Foto: Divulgação / Mais Novela

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que a endometriose atinge, aproximadamente, 180 milhões de mulheres no mundo e 7 milhões no Brasil. Uma em cada dez brasileiras, em idade reprodutiva, apresenta a síndrome. Além disso, a entidade reconhece a patologia como problema de saúde pública. Segundo a nutricionista Fernanda Mululo, a endometriose é marcada por um processo inflamatório crônico que vai muito além da dor. "Pode causar inchaço, ganho de peso, alterações intestinais, fadiga, problemas de memória e concentração, além de comprometer a fertilidade", explica.

O papel da alimentação

De acordo com Mululo, a dieta pode tanto "acender" quanto "atenuar" a inflamação. O consumo excessivo de farináceos, carne vermelha e ultraprocessados potencializa o processo inflamatório, enquanto uma alimentação rica em frutas, verduras, fibras e temperos naturais ajuda a reduzir sintomas. A nutricionista afirma que em apenas 15 a 30 dias, mudanças simples, como incluir mais vegetais, aumentar a ingestão de água e reduzir ultraprocessados, já trazem melhora significativa, proporcionando que a mulher tenha menos dor, inchaço e mais bem-estar.

A especialista lembra que entre os alimentos mais recomendados estão vegetais como couve, couve-flor, brócolis; frutas arroxeadas ricas em resveratrol; grãos integrais, sementes e proteínas magras, como peixes, frango e ovos. Por outro lado, biscoitos, bebidas açucaradas, fast-foods e excesso de carne vermelha devem ser evitados.

Diagnóstico tardio e desafios

Um dos grandes obstáculos no tratamento da endometriose é o tempo de diagnóstico, que ainda varia de 7 a 10 anos. Nesse período, muitas mulheres convivem com dores intensas e limitações no dia a dia. "Mesmo sem diagnóstico confirmado, mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, sono adequado, controle do estresse e prática regular de exercícios, podem atenuar sintomas", aponta a nutricionista.

Para mulheres que desejam engravidar, os cuidados precisam ser ainda mais rigorosos. Mululo recomenda evitar cafeína, álcool, monitorar níveis de vitaminas e minerais por meio de exames e garantir o bom funcionamento intestinal, essencial para a absorção de nutrientes.

Mais que uma dieta, um estilo de vida

A especialista destaca que a chamada "alimentação anti-inflamatória" não é uma moda passageira. Ela esclarece que não se trata de excluir alimentos de forma radical, mas de priorizar frutas, verduras, legumes e cuidar da saúde intestinal, sendo uma estratégia coadjuvante no tratamento de doenças inflamatórias.

Outro mito comum é associar esse padrão alimentar a custos elevados. Mululo pontua que não é preciso comprar tudo sem glúten ou sem lactose. "A base deve ser o consumo de alimentos frescos, de preferência da estação, com menor grau de industrialização. É acessível e adaptável à realidade de cada mulher", completa.

Bem-estar ampliado

Conforme a nutricionista, além do alívio da dor e da redução de sintomas específicos, os efeitos da alimentação equilibrada se estendem ao sono, à energia, ao equilíbrio hormonal e à saúde mental. Ela também ressalta que a microbiota intestinal tem papel central nesse processo. Quando não está saudável, favorece refluxo, má digestão, distensão abdominal, excesso de gases e alterações do hábito intestinal, problemas muitas vezes normalizados. "O intestino é a porta de entrada tanto da inflamação quanto da desinflamação. Cuidar dele é fundamental para que a mulher conquiste mais saúde e qualidade de vida", finaliza.

Especialista

Formada em Nutrição pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com residência em Nutrição Clínica e pós-graduação em Nutrição Funcional e Fitoterapia, Fernanda Mululo soma mais de dez anos de experiência no atendimento a mulheres. Especialista em saúde feminina e com vivência pessoal na endometriose, já acompanhou mais de quatro mil pacientes, auxiliando no alívio de dores, equilíbrio hormonal, perda de peso, melhora da autoestima e aumento da fertilidade.

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