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Outubro Rosa: depois do câncer de mama, atleta volta a remar pela preservação ambiental

Tricampeã brasileira de rafting, Roberta Borsari terminou o tratamento em 2017; agora, ela retoma suas viagens pelo mundo sobre uma prancha de SUP

5 out 2022 - 15h11
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Seja para guiar os sons das meditações ou ser fonte de beleza para majestosas criações no design, a natureza é fonte de inspiração para muitos, E na vida da atleta e publicitária Roberta Borsari não foi diferente.

"Um fator determinante na questão da natureza é a sua relação com o movimento. Para mim, um não vive sem o outro", conta ela, que, observando os ciclos naturais, repensou as suas próprias fases da vida - incluindo um câncer de mama, em 2016. "Apesar de tudo, é um processo transformador. O qual apenas quem passou por ele saberá os ganhos adquiridos. O resto é teoria."

Hoje, curada, ela volta a explorar cada cantinho do mundo em busca de aventuras e com um olhar voltado à sustentabilidade, ao esporte e, principalmente, à própria felicidade.

Amante de praia e filha de professores de educação física, Roberta já sabia, desde pequena, que seu destino seria o esporte na água. Claro que nadar, por si só, era delicioso, mas ela buscava algo um pouco mais estimulante. Passou, então, a praticar rafting, canoagem, caiaque, kayaksurfe e stand up paddle (SUP). E acabou por se tornar uma referência nessas modalidades.

Aos 23 anos, Roberta já era instrutora de rafting e atleta de descidas de rios com a equipe Canoar. Com patrocínio, Roberta teve a oportunidade de desenvolver suas habilidades técnicas de forma que passou a competir de igual para igual com os homens.

"Eu tinha uma postura bem firme. Por exemplo, a gente ia fazer uma expedição de rio e eu não deixava ninguém levar o meu caiaque, queria carregar o meu peso sozinha", afirma. "Eu me machucava, né? Me machucava mesmo, de cortar a pele, abrir a cabeça e tal, mas não reclamava e falava 'vamos embora, está tudo bem'. Eu sempre fui muito 'fortona' nesse sentido."

Nessa mesma época, ela representou São Paulo com a equipe feminina pioneira de rafting, com a qual foi tricampeã brasileira entre 1997 e 1999. Assim, foi a primeira mulher a competir no circuito nacional de rafting no Brasil.

Roberta foi explorando mais e mais do mundo de aventuras aquáticas e se apaixonou pela modalidade de stand up paddle, que conheceu em 2010, durante uma viagem ao Havaí, nos Estados Unidos. Um ano depois, criou o projeto SUPTravessias, que pretende propagar o turismo sustentável e divulgar histórias das comunidades locais das mais diversas ilhas do mundo: de Moorea, na Polinésia Francesa, até Galápagos, no Equador.

De remada em remada, Roberta conquistou seu espaço como atleta e ainda teve a oportunidade de viajar o mundo fazendo o que ama. Tudo mudou, porém, em setembro de 2016, quando a vida decidiu dar a ela uma onda um pouco mais complicada de atravessar.

Nova etapa

Aos 42 anos, ela foi diagnosticada com câncer de mama. Sem históricos de câncer na família e com uma rotina regrada que a vida de atleta exige, incluindo sono e alimentação, a primeira reação foi de espanto. "A gente sempre associa a doença a um perfil que não tem nada a ver com a da mulher jovem e atleta, né?", indaga.

Ao todo foram cinco meses de quimioterapia forte, 30 sessões de radioterapia, uma cirurgia e mais um período de readaptação ao próprio corpo. "Como atleta, você aprende a cair e a levantar muitas vezes. Mas o mais importante é não desistir", afirma. "Eu vejo a doença como uma regeneração. Porque você mata muitas células do seu corpo, mas depois disso nascem muitas outras novas células que se recompõem. Então nasce uma nova pessoa também."

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O tratamento foi finalizado em março de 2017, e para comemorar, Roberta embarcou para uma aventura escolhida a dedo: Sri Lanka, um destino associado à cura e à espiritualidade. "Foi uma viagem realmente de conexão entre cura, saúde, esporte e movimento para trazer tudo aquilo que eu sempre tive na minha vida. E mostrar que eu havia passado por tudo, me regenerado e agora estou aqui, continuando a minha jornada de uma outra maneira", declara.

Atualmente, com um novo olhar e com ainda mais vontade de aproveitar a vida, Roberta retomou o projeto SUPTravessias para mostrar a importância do turismo consciente e da preservação do meio ambiente. "Aprendi que você não precisa ser 100% forte e autônoma em todos os momentos da sua vida. Aprendi que o que nos conecta é o amor e que os problemas que eu tinha hoje não existem mais. Eu sinto que evoluí."

Estadão
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