Obesidade: entidade médica lança campanha por inclusão de novos remédios no SUS
A iniciativa acontece após a Conitec negar a oferta de Saxenda e Wegovy no SUS
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) lançou nesta quarta-feira, 3, a campanha "Tratamento da Obesidade: Acesso Já", com o objetivo de pressionar por políticas públicas que garantam o acesso a medicamentos contra a obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
A iniciativa acontece após a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ter decidido pela não inclusão da liraglutida (princípio ativo do Saxenda) e da semaglutida (presente no Wegovy) no sistema público.
Em agosto, dois pedidos foram negados. O primeiro vinha de várias sociedades médicas brasileiras e pedia a inclusão da liraglutida para o tratamento de pacientes com obesidade e diabetes do tipo 2.
O segundo era da farmacêutica Novo Nordisk, que pleiteava a inclusão do Wegovy, que tem como princípio ativo a semaglutida, para o tratamento de pacientes com obesidade grau 2 e 3, sem diabetes e com doença cardiovascular estabelecida.
Essa não foi a primeira vez que a Conitec rejeitou a incorporação de medicamentos contra a obesidade no SUS. Nos últimos cinco anos, quatro medicamentos tiveram sua incorporação negada. Foram eles: orlistate, sibutramina, liraglutida e semaglutida.
Hoje, o SUS não conta com nenhuma opção medicamentosa para o tratamento da obesidade. A abordagem preconizada se baseia em medidas não farmacológicas, como atividade física, alimentação saudável, atendimento psicológico e práticas integrativas.
"O único tratamento existente é a cirurgia bariátrica, que tem um público específico e não consegue atender toda a demanda", destaca o endocrinologista Neuton Dornellas, presidente Sbem. "Então, nós temos visto uma epidemia de obesidade. Temos 31% da população adulta brasileira com o quadro atualmente", adiciona.
Vale lembrar que, segundo dados do Atlas Mundial da Obesidade 2025, da Federação Mundial da Obesidade (WOF), 68% da nossa população têm sobrepeso. Isso significa que quase sete em cada 10 brasileiros vivem com excesso de peso. Conforme o relatório, 60 mil mortes prematuras no Brasil estão ligadas ao quadro, por conta da associação com doenças crônicas não transmissíveis.
O quadro traz custos expressivos ao sistema de saúde. Estimativas de um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) indicam que, entre 2021 e 2030, os custos diretos ao SUS com doenças associadas à obesidade podem atingir US$1,8 bilhão - o que corresponde a cerca de R$10 bilhões.
A campanha prevê diferentes frentes de ação: petição pública, mobilização digital, iniciativas de imprensa, produção de vídeos educativos, além de articulação política e jurídica junto ao Ministério da Saúde (MS), à Conitec, ao Ministério Público Federal (MPF) e ao Conselho Nacional de Saúde (CNS). Também serão acionados parlamentares e gestores estaduais e municipais.
O movimento tem o apoio de outras entidades, como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), entre outras. / COM LEON FERRARI