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O que é o PMMA, preenchimento que causou morte de influenciadora

Caráter permanente e baixo custo do PMMA são atrativos para uso da substância como preenchedor

7 jul 2024 - 06h20
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Aline morreu após realizar um procedimento de preenchimento nos glúteos com PMMA
Aline morreu após realizar um procedimento de preenchimento nos glúteos com PMMA
Foto: Divulgação

Recentemente, a influenciadora Aline Maria Ferreira da Silva faleceu após realizar um procedimento de preenchimento nos glúteos com PMMA (polimetilmetacrilato), uma substância com um alto índice de complicações. 

“O PMMA é um gel preenchedor de baixo custo e caráter permanente, o que atrai muitos pacientes. Mas possui alta taxa de complicação a longo prazo, podendo manifestar reações mesmo após anos da aplicação, como nódulos e inflamação. Além disso, é uma substância que não conseguimos remover de maneira isolada. Então, se necessária devido a complicações, essa remoção pode danificar os tecidos preenchidos, causando deformação”, diz a dermatologista Mônica Aribi, sócia efetiva da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Ela explica que, mesmo quando não há complicações, o PMMA, muitas vezes, não é capaz de gerar satisfação definitiva aos pacientes.

“Isso porque o processo de envelhecimento pode causar mudanças estruturais que não são acompanhadas pelo produto, tornando-o mais proeminente e gerando efeitos inestéticos”, completa.

Notícias como essas acabam gerando grande receio nas pessoas que desejam se submeter a preenchimentos, independentemente da substância utilizada. Mas Mônica Arbi ressalta que não há motivos para não realizar o procedimento se assim desejado, pois, se realizado com a substância e técnica correta, é perfeitamente seguro. 

“Na verdade, apesar de ser aprovado pela Anvisa para fins estéticos e reparadores, o PMMA é hoje pouco utilizado em preenchimentos por dermatologistas e cirurgião plásticos e não é recomendado pela Sociedade Brasileira de Dermatologista e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Atualmente, a substância padrão para preenchimentos é o ácido hialurônico”, afirma a médica.

Biocompatibilidade

O grande diferencial do ácido hialurônico está no fato de ser biocompatível, o que faz com que seja muito seguro quando devidamente aplicado. 

“O ácido hialurônico, substância mais utilizada em preenchimentos, é absorvido pelo organismo após cerca de um ano. Além disso, quando há uma hipercorreção, podemos utilizar uma enzima chamada de hialuronidase, que age dissolvendo o ácido hialurônico”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. 

“Mas é importante ressaltar que alguns estudos mostram que a substância não dissolve totalmente o produto, então, dependendo da quantidade de ácido hialurônico utilizada, algumas sessões podem ser necessárias”, acrescenta a médica.

Além do ácido hialurônico, outra excelente opção, segundo Beatriz, é a gordura, que é retirada do próprio paciente por meio de lipoaspiração. 

“Após tratada, essa gordura é reinjetada na pele para promover volume. Por isso, não tem risco de rejeição”, diz a cirurgiã plástica, que explica que esse procedimento é conhecido como lipoenxertia. “Apesar de não ser definitivo, apenas parte da gordura é reabsorvida, assim contribuindo para a manutenção dos resultados. Além disso, a gordura conta com células-tronco que promovem uma potente regeneração dos tecidos da região tratada”, detalha.

Por fim, Mônica Aribi alerta que é fundamental adotar alguns cuidados para evitar complicações. “Desconfie de preços muito abaixo do mercado, pois pode ser um indício que a substância que será utilizada não é de qualidade. Além disso, tire todas as suas dúvidas com o médico, pergunte qual produto será utilizado e peça para ver o rótulo e a seringa antes da aplicação”, aconselha a médica.

Ela ressalta a importância de buscar um profissional especializado. “Para fugir de complicações e exageros na aparência, é necessário que a pessoa que realizará o procedimento seja um médico experiente e qualificado. Mesmo substâncias seguras como o ácido hialurônico podem causar complicações se aplicadas incorretamente”, finaliza.

(*) HOMEWORK inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.

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