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Novembro Azul: casos de câncer de próstata cresceu quatro vezes entre homens com menos de 50 anos

Número de mortes pela doença cresceu cerca de 20% em dez anos; especialistas alertam para a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce

3 nov 2026 - 13h07
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Resumo
No Brasil, as mortes por câncer de próstata cresceram 20% em uma década, vitimando cerca de 18,5 mil homens em 2025. Silenciosa no início, a doença é a mais frequente entre o público masculino, desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Com o aumento de casos também entre homens com menos de 50 anos no exterior, o Novembro Azul alerta para a importância da prevenção a partir dos 45 ou 50 anos, combatendo o preconceito para garantir diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes.

O câncer de próstata continua sendo um dos maiores desafios para a saúde masculina no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), aproximadamente 18,5 mil homens morreram em decorrência da doença em 2025, o equivalente a uma média de 50 óbitos por dia. O número representa um crescimento de cerca de 20% em relação a uma década antes, quando foram registradas 15,4 mil mortes.

Câncer de próstata mata cerca de 50 homens por dia no Brasil; conheça os sintomas, fatores de risco e orientações do Novembro Azul
Câncer de próstata mata cerca de 50 homens por dia no Brasil; conheça os sintomas, fatores de risco e orientações do Novembro Azul
Foto: Reprodução: peakSTOCK/Getty Images Signature / Bons Fluidos

Os dados ganham ainda mais relevância com a chegada do Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde do homem. Afinal, embora seja um dos tipos de câncer mais frequentes na população masculina, a doença costuma evoluir silenciosamente, sem provocar sintomas em seus estágios iniciais.

Entre 2017 e setembro de 2026, mais de 160 mil brasileiros morreram em decorrência do câncer de próstata. Além disso, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para aproximadamente 78 mil novos casos anuais no país entre 2026 e 2028.

Por que o câncer de próstata preocupa tanto no Brasil?

O câncer de próstata é o segundo tipo de tumor mais frequente entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Quando os tumores de pele não melanoma são desconsiderados, ocupa a primeira posição.

Um dos principais desafios é que muitos homens procuram atendimento médico somente quando percebem alguma alteração no organismo. No caso do câncer de próstata, porém, esperar pelos sintomas pode significar descobrir a doença em uma fase mais avançada.

Isso acontece porque os tumores frequentemente se desenvolvem na região periférica da próstata, uma glândula localizada abaixo da bexiga e responsável pela produção de parte do líquido que compõe o sêmen.

Como essa região fica afastada da uretra, o crescimento inicial do tumor pode não interferir no funcionamento urinário. Dessa forma, a doença pode permanecer sem manifestações perceptíveis durante bastante tempo. Quando identificada precocemente, entretanto, as possibilidades de tratamento são maiores, e muitos pacientes apresentam excelentes perspectivas de recuperação.

Quais são os sintomas do câncer de próstata?

Embora o câncer de próstata geralmente não provoque sinais no início, algumas alterações podem aparecer conforme a doença evolui. Entre os sintomas que merecem atenção, estão: 

  • Dificuldade para começar a urinar;
  • Necessidade de ir ao banheiro com maior frequência, especialmente durante a noite;
  • Jato urinário fraco ou interrompido;
  • Presença de sangue na urina ou no sêmen;
  • Dores persistentes nos ossos, que podem ocorrer em estágios avançados.

É importante destacar que esses sintomas não significam necessariamente a presença de um tumor maligno. Alterações urinárias também podem estar relacionadas à hiperplasia prostática benigna, condição caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata, bastante comum com o envelhecimento. Por isso, diante de qualquer mudança persistente, a recomendação é procurar um urologista para investigar a causa.

Quem tem maior risco de desenvolver a doença?

Embora qualquer homem possa desenvolver câncer de próstata, alguns fatores aumentam a probabilidade de diagnóstico. A idade é um dos principais. A maioria dos casos ocorre após os 50 anos, e o risco cresce progressivamente com o envelhecimento.

O histórico familiar também merece atenção. Homens que possuem pai ou irmão diagnosticado com a doença apresentam maior probabilidade de desenvolvê-la, especialmente quando o familiar recebeu o diagnóstico ainda jovem.

Outros fatores incluem determinadas alterações genéticas hereditárias, como mutações no gene BRCA2. Além disso, a obesidade está associada a um maior risco de formas agressivas da doença, embora a relação entre excesso de peso e desenvolvimento do câncer de próstata ainda seja estudada.

Câncer de próstata também cresce entre homens mais jovens

Apesar de ser mais comum depois dos 50 anos, o câncer de próstata também pode atingir adultos mais jovens. Um levantamento do World Cancer Research Fund (WCRF), realizado na Inglaterra, identificou um crescimento expressivo dos diagnósticos entre homens com menos de 50 anos. Em 2001, foram registrados 158 novos casos nessa faixa etária. Em 2023, o número chegou a 640, mais de quatro vezes o total anterior.

Especialistas investigam se essa tendência está relacionada à ampliação dos exames, à maior conscientização sobre a doença ou a fatores associados ao estilo de vida, como obesidade e alimentação. É importante ressaltar, porém, que esses números se referem à população inglesa e não demonstram que o mesmo aumento tenha ocorrido no Brasil.

Ainda assim, o levantamento reforça a importância de conhecer os fatores de risco e manter os cuidados com a saúde em diferentes fases da vida.

Novembro Azul: quando começar a procurar um urologista?

Uma das principais mensagens do Novembro Azul é que os cuidados com a saúde masculina não devem começar apenas quando surgem sintomas. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, homens a partir dos 50 anos devem procurar um urologista para conversar sobre os benefícios e os riscos dos exames de rastreamento do câncer de próstata.

Para aqueles com maior risco, como pessoas com histórico familiar da doença, essa avaliação pode ser antecipada para os 45 anos. Entre os exames utilizados estão o PSA, realizado por meio de uma coleta de sangue, e o toque retal, que permite avaliar possíveis alterações na próstata.

Entretanto, a realização desses procedimentos deve ser discutida individualmente. Isso porque resultados alterados nem sempre indicam câncer e podem levar a investigações ou tratamentos desnecessários. Enquanto a SBU recomenda a avaliação individualizada, o Ministério da Saúde não orienta o rastreamento populacional de rotina em homens sem sintomas. A decisão deve considerar as características e preferências de cada paciente.

Quais são os tratamentos disponíveis no Brasil?

O tratamento do câncer de próstata depende de fatores como o estágio da doença, a agressividade do tumor, a idade e as condições gerais de saúde do paciente. Em tumores considerados de baixo risco, uma das possibilidades é a vigilância ativa. Nessa estratégia, o médico acompanha periodicamente a evolução da doença, evitando intervenções imediatas quando elas não são necessárias. Em outros casos, podem ser indicadas cirurgia, radioterapia, tratamentos hormonais ou outras abordagens.

Entre os avanços recentes no país está a incorporação da cirurgia de próstata assistida por robô ao Sistema Único de Saúde (SUS), anunciada em 2026. A técnica utiliza instrumentos robóticos controlados pelo cirurgião, permitindo movimentos precisos durante o procedimento.

Outras alternativas incluem o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU), que utiliza energia para destruir tecidos tumorais, e a crioablação, que emprega temperaturas extremamente baixas para atingir as células cancerosas. Esses procedimentos não são indicados para todos os pacientes, e sua utilização depende de critérios médicos específicos.

Como reduzir os riscos e cuidar da saúde da próstata?

Embora não exista uma maneira garantida de impedir o desenvolvimento do câncer de próstata, alguns hábitos contribuem para a saúde geral e podem ajudar a diminuir o risco de diferentes doenças crônicas. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente, evitar o tabagismo e controlar o peso corporal são medidas importantes.

Também é fundamental conhecer o histórico de saúde da família e informar ao médico a existência de parentes diagnosticados com câncer, especialmente de próstata, mama, ovário ou pâncreas, já que algumas dessas doenças podem compartilhar fatores genéticos hereditários.

Mais do que incentivar exames, o Novembro Azul busca combater o preconceito e a resistência que ainda afastam muitos homens dos consultórios médicos. Diante de milhares de mortes registradas anualmente no Brasil, a mensagem é clara: cuidar da saúde não deve ser uma atitude tomada apenas quando algo parece errado. O acompanhamento adequado e a atenção aos fatores de risco podem fazer diferença na identificação e no tratamento de doenças.

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