Teste genético pode evitar quimioterapia desnecessária no câncer de mama
Um estudo da University College London revelou que o teste genético Prosigna pode poupar pacientes com câncer de mama hormônio-sensível de quimioterapia desnecessária. Analisando mais de 4.400 pessoas, a pesquisa mostrou que dois terços apresentaram baixo risco genético. Nesse grupo, a sobrevida livre de recorrência em cinco anos foi quase idêntica com ou sem quimioterapia (94,8% contra 93,6%), indicando que o teste orienta tratamentos seguros e evita efeitos colaterais sem elevar os riscos.
03 de novembro de 2026 (Bibliomed). Estudo coordenado pela University College London, no Reino Unido, descobriu que muitas pessoas com câncer de mama podem evitar a quimioterapia com segurança por meio de um teste genético, potencialmente poupando-as de efeitos colaterais desnecessários sem aumentar o risco de recorrência do câncer.
O estudo, que acompanhou mais de 4.400 pacientes no Reino Unido, Noruega, Suécia, Austrália, Nova Zelândia e Tailândia, foi concebido para reduzir o uso de quimioterapia desnecessária em pessoas com diagnóstico recente de câncer de mama.
A quimioterapia é oferecida regularmente a pessoas com câncer de mama em estágio inicial que se espalhou da mama para os linfonodos próximos, pois reduz o risco de recorrência da doença. Embora seja eficaz no geral, existe preocupação entre os médicos de que muitas pessoas com o tipo mais comum de câncer de mama, o hormônio-sensível, obtenham pouco ou nenhum benefício da quimioterapia, mas ainda sofram com seus efeitos colaterais significativos e, às vezes, perigosos.
O estudo utilizou um teste genômico chamado Prosigna, que mede a atividade de genes envolvidos no crescimento do câncer de mama. Ao contrário de alguns testes semelhantes, o Prosigna pode ser realizado por laboratórios do NHS (Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido) com o equipamento apropriado. O teste é realizado em amostras de tecido canceroso. Normalmente, são tumores removidos cirurgicamente, mas como o teste utiliza muito pouco tecido, também funciona com biópsias diagnósticas por agulha.
O estudo envolveu mulheres e homens cm 40 anos ou mais após cirurgia para câncer de mama hormônio-sensível. A maioria apresentava metástase nos linfonodos axilares, o que os colocava em alto risco de recorrência futura. Por isso, o tratamento usual incluía um ciclo de quimioterapia e comprimidos hormonais padrão, tomados por cinco a dez anos. Os participantes foram aleatoriamente designados para um dos dois grupos: Grupo de tratamento padrão: pacientes receberam quimioterapia seguida de terapia hormonal; e Grupo de tratamento direcionado: os pacientes tiveram seus tumores testados usando o Prosigna. Aqueles com pontuação alta (acima de 60) receberam quimioterapia e terapia hormonal, enquanto aqueles com pontuação baixa (menor ou igual a 60) foram tratados apenas com terapia hormonal. A radioterapia e outros tratamentos foram administrados normalmente em ambos os grupos.
Das 4.429 pessoas que participaram do estudo, mais de dois terços (68%) apresentaram uma pontuação baixa no Prosigna. Para este grupo, os resultados mostraram que os desfechos foram muito semelhantes, independentemente de ter sido administrada quimioterapia ou não. Cinco anos após o tratamento: 94,8% das pacientes que receberam quimioterapia juntamente com terapia hormonal estavam vivas e sem recorrência do câncer de mama; 93,6% dos pacientes tratados apenas com terapia hormonal também estavam vivos e sem recidiva.
Um teste estatístico mostrou que, no máximo, apenas 2% dos pacientes com baixa pontuação no Prosigna tratados com quimioterapia se beneficiarão desse tratamento. Isso sugere que, para pacientes com baixos escores no Prosigna, a quimioterapia oferece pouco ou nenhum benefício adicional, o que significa que muitas pessoas poderiam evitá-la com segurança, bem como seus efeitos colaterais.
Em geral, os resultados indicam que o uso do teste Prosigna para orientar as decisões de tratamento pode ajudar um número substancial de pacientes a evitar quimioterapia desnecessária sem comprometer os resultados.
Fonte: American Society of Clinical Oncology Annual Meeting 2026.
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