Médico especialista explica os riscos das canetas emagrecedoras do Paraguai
O preço baixo esconde perigos graves: entenda por que o uso de tirzepatida e semaglutida sem procedência pode comprometer sua saúde e até a sua vida
O uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, como o Ozempic e o Mounjaro, tornou-se um fenômeno global.
No entanto, o alto custo no Brasil tem levado muitos consumidores a buscar alternativas no país vizinho.
O contrabando de canetas emagrecedoras do Paraguai cresceu de forma alarmante, atraindo pessoas pelo preço reduzido. Mas o que parece uma economia pode custar caro para o organismo.
O uso desses fármacos sem procedência e sem acompanhamento médico é um risco invisível.
A tirzepatida e a semaglutida exigem rigor no armazenamento e na prescrição.
O perigo do uso puramente estético e sem receita
Atualmente, a pressão social pelo "corpo perfeito" faz com que muitas pessoas utilizem esses remédios sem necessidade clínica.
Segundo o Dr. Luiz Augusto Junior, médico pós-graduado em nutrologia, o público mais atingido são as mulheres jovens e adolescentes.
"O impacto mais sério aparece em quem ainda está formando identidade e aprende cedo que existir é 'caber'", alerta o especialista.
Além da questão emocional, existe o risco sanitário. Muitos dos medicamentos vendidos no Paraguai, muitas vezes sem receita, não possuem autorização da Anvisa.
Sem essa regulação, não há garantia de que o conteúdo da caneta seja de fato a substância prometida. Ou que tenha sido mantido na temperatura correta, o que pode anular o efeito ou causar toxicidade.
Efeitos colaterais: Do desconforto ao risco de vida
Mesmo quando o medicamento é original, o acompanhamento profissional é indispensável para manejar os efeitos colaterais. O uso indiscriminado pode causar:
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Sintomas comuns: Náuseas intensas, vômitos, diarreia e indigestão severa.
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Complicações graves: Desidratação aguda e insuficiência renal.
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Riscos a longo prazo: Pancreatite (inflamação do pâncreas) e problemas na vesícula biliar.
Quando o produto é contrabandeado, o risco de uma insuficiência renal aguda aumenta devido à falta de controle sobre a dosagem e pureza da fórmula.
Obesidade é doença e exige tratamento sério
É fundamental entender que a obesidade não é uma questão de estética ou falta de vontade.
"Obesidade é uma doença, tem CID e tem tratamento!", explica o Dr. Luiz Augusto. No entanto, o tratamento não deve ser baseado em "atalhos" perigosos.
Em mulheres na menopausa, por exemplo, o emagrecimento torna-se mais difícil devido às alterações hormonais.
A queda do estradiol e o aumento do cortisol fazem a gordura se concentrar no abdômen, desregulando a insulina e inflamando o corpo.
Nestes casos, o medicamento pode ser um aliado, mas deve fazer parte de um plano estruturado.
Como emagrecer com segurança?
Para tratar a obesidade de forma eficaz, o foco deve estar na saúde metabólica e não apenas na balança. O caminho seguro envolve:
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Consulta com especialista: Somente um médico pode avaliar se você tem indicação para o uso de canetas emagrecedoras.
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Procedência garantida: Compre medicamentos apenas em farmácias regulamentadas que garantam a conservação do produto.
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Plano personalizado: Aliar alimentação equilibrada e exercícios físicos é o que mantém o resultado a longo prazo.
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Exames regulares: Monitorar funções renais e hepáticas durante o tratamento.
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